Free JavaScripts provided
by The JavaScript Source

CONSCIENCIA DE SI

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

Senhor da Mente

Senhor da Mente Introdução

O objetivo deste trabalho é ensinar ao espírito encarnado a aprender a dominar a sua “mente”. Mas, para que isto precisa ser feito? Para que cada um se transforme em “Senhor da Mente”, mestre da sua própria mente.
Assumir o controle sobre a mente é necessário, pois hoje os seres humanizados[1] são “escravos” dela, ou seja, são comandados por ela. Tudo o que a mente “diz” que é verdadeiro, o ser humanizado acredita; só o que ela diz que é “certo” é encarado desta forma; apenas o que ela diz que existe passa a ser real. A mente, portanto, é “senhora” do ser humanizado e “comanda” as realidades com as quais ele vive.
No entanto, existe uma Realidade[2] acima da percepção da mente que compõe o que é chamado de “mundo espiritual”, Universo ou “Todo Universal”. Neste elemento, o ser universal é algo completamente diferente daquilo que hoje, comandado pela mente, imagina ser e vive uma Realidade completamente diferente daquilo que hoje percebe.
Portanto, posso dizer que todo ser humanizado é um escravo da sua mente e precisa se libertar dela para poder ser ele mesmo, para reassumir a sua Real personalidade: a espiritual.
Por causa desta Verdade Universal[3], o controle da mente é o caminho ensinado por Krishna para a elevação espiritual. Este mestre afirma: o verdadeiro sábio, ou seja, aquele que alcança a evolução espiritual, promove a reforma íntima, é quem aprende a controlar a sua mente. É para aprender aquilo que o Senhor Krishna ensina como caminho que leva a Deus que estudaremos o “controle da mente”.
Isto é fundamental de se compreender para que não pairem ilusões. O objetivo deste trabalho não é ensiná-lo a “controlar a mente“ para que você se torne apto a subjugar os outros ou às situações de sua vida pelo seu poder mental, mas para que alcance a sua evolução espiritual.
Reforma íntima é algo que não pode ser perfeitamente compreendida pelos seres humanizados. Escravizados como estão aos padrões ditados pela mente, os espíritos não conseguem ter compreensão perfeita da Realidade do Universo. Por isso, apenas os espíritos desencarnados ou libertos da sua mente humana podem orientá-los perfeitamente.
Todo espírito liberto da escravidão à mente humana sabe que viver sob este domínio não leva o ser universal encarnado a aproximar-se de Deus. A mente (que também chamaremos de ego) guia o ser humanizado sempre para viver a ilusão, ou maya como Krishna classifica a realidade daqueles que são guiados pelo ego, da materialidade como realidade. Este conhecimento é que nos leva a seguir realmente os ensinamentos do mestre Sri Krishna.
Portanto, utilizaremos o Bhagavata Puranas como base para os estudos deste livro porque sabemos, como espíritos libertos da humanização, que a escravidão à mente impede o ser humanizado de realizar a sua reforma íntima, por melhor que sejam as suas intenções.
Só que antes de começar o estudo do Bhagavata Puranas alguns aspectos daquilo que será estudado precisam ser compreendidos em profundidade. Por isto, farei nesta introdução uma pequena análise daquilo que será objeto de estudo neste livro.
Começo com a seguinte pergunta: o que é mente?
Participante: É uma parte do nosso cérebro que comanda os raciocínios.
Esta é uma visão material da “mente” e não a Realidade. Para descobrirmos que isto que acabei de afirmar é Real, preciso continuar perguntando sobre os elementos da sua resposta.
O que é um cérebro? Ele é feito de carne, de matéria carnal?
Participante: Sim.
E, carne pode pensar? Será que a matéria carnal possui a propriedade inteligência que a levaria a raciocinar?
Se a sua resposta for sim, ou seja, se você acreditar nisso, com certeza também terá que crer que seus braços e pernas podem raciocinar, pois eles também são feitos da mesma matéria que o cérebro: carne. Mas, com certeza, você não acredita que os seus braços e pernas raciocinam, pois sabe que a “matéria não é inteligente”. Por isso lhe digo que, apesar de me responder assim, não pode crer realmente que a mente seja parte do cérebro, pois seria ilógico.
Eu diria que a mente é aquilo que a psicologia chama de “psique”, que é “algo” ainda não perfeitamente compreendido pela ciência. Apesar deste desconhecimento sobre a psique, os cientistas já sabem que ela não é formada por matérias perceptíveis aos seres humanizados (imaterial) e que não faz parte do corpo físico como os membros, mas que, mesmo assim, está no corpo. Isto é a mente segundo a ciência.
No entanto, para este trabalho vamos além do conhecimento científico. Por isto, definirei a mente como um conjunto de verdades que determinam uma personalidade ou identidade. A sua “senhora”, portanto, é um conjunto de verdades que cria realidades que determinam a sua identidade: você.
Uma outra informação importante no tocante ao conhecimento da sua “senhora”: a compreensão de que não existem duas mentes iguais, ou seja, dois seres humanizados que crêem na mesma verdade. Podem até existir egos que possuam a mesma definição das coisas do mundo, mas eles jamais “gostarão” ou “desgostarão” (sentimentos que fazem parte da verdade) com a mesma intensidade.
É por isto que no mundo material se afirma que não existem duas personalidades iguais. Saiba que isto ocorre porque as pessoas são apenas seres universais escravizados às suas mentes e, como não existem dois conjuntos de verdades que tenham a mesma intensidade nas suas opiniões, elas são necessariamente diferentes umas das outras.
Por isto podemos afirmar que mente nada tem a ver com materialidade, com matérias, mas trata-se de um conjunto de crenças que compõem as realidades que o ser humanizado vivencia durante a sua subjugação a ela.
Exemplifiquemos. Que cor é a sua blusa?
Participante: Vermelho.
Por que você reconheceu o vermelho nesta cor? Porque esta definição está na sua mente. Veja bem que não estou falando do rótulo (o nome “vermelho” da cor), mas de uma pigmentação que, depois de reconhecida pela mente, é definida através de um vocábulo.
A mente, instigada pela minha pergunta, agiu reconhecendo primeiramente a “blusa” e depois a pigmentação para lhe dizer que resposta deve me dar. Você, que não reconhece a separação entre o seu ego e você mesmo (o espírito), pois está escravizada a ele a tal ponto de reconhecer-se como a sua própria mente, me responde então achando que está “certa”, que sabe a resposta.
Mas, eu lhe pergunto: quem disse que esta pigmentação existe? Para respondermos a esta pergunta, no entanto, teremos que mudar sua resposta. Se ficarmos no “vermelho” a lógica do que estou falando não será bem entendida.
Para não irmos muito longe do que você pode entender entrando pelo campo do imaginário nesta mudança, vamos alterar a cor da sua blusa. Digamos que o seu ego tenha reconhecido uma determinada pigmentação que classificou de “marrom” ao invés de “vermelha” à minha pergunta. Será que existe o marrom?
Claro que não. Você aprendeu na escola que existem apenas sete cores primárias e que o marrom não está entre elas. Portanto, o marrom não existe. Por este motivo a resposta “certa”, neste caso deveria ser: a cor da minha blusa provém da união de determinadas cores.
Mas, por que, então, a mente não respondeu de forma “certa” e sim com o vocábulo “marrom”? Porque ela não se baseia na Realidade, mas apenas no conjunto de verdades individuais ou crenças individualizadas que existem nos “arquivos” ou memória da mente.
A mente não raciocina, mas apenas compara informações recebidas em um determinado momento com outras que existem nos seus arquivos (memória). A ação dela é, depois de recebida as informações do momento através dos órgãos de percepção do corpo físico[6], analisá-los de acordo com as informações arquivadas na memória para construir uma realidade, pouco se importando se aquilo é Real ou não.
Isto é mente e esta é a sua ação a cada momento. Ela é um conjunto de informações que são utilizados para criar verdades e realidades e não uma parte material que raciocina, escolhe entre o “certo” e o “errado”.
Este conhecimento é fundamental para aquele que pretende alcançar a elevação espiritual, pois como todos os mestres ensinaram, a verdade humana, que é utilizada pela mente como parâmetro para estabelecer a realidade, é ilusória e passageira. Crer nelas como eterna e imutável é algo que os seres humanizados precisam eliminar de suas existências se quiserem alterar a sua realidade. Daí a importância de se tornar “Senhor da Mente”, ao invés de continuar escravizado a ela.
Agora, que verdades são essas que existem na mente? De onde surgem os elementos comparativos que a mente utiliza para criar realidades?
Participante: Tudo que aprendemos nesta vida.
E mais: tudo o que trouxemos anteriormente ao nascimento.
Veja bem. Desde o início da existência a criancinha já tem algumas verdades particulares. Elas podem ser ampliadas com a evolução da idade e outras novas podem ser acrescidas, mas algumas crenças individuais existem desde o nascimento e criam aquilo que é chamado de “personalidade” de um ser humanizado.
Então, a mente não é formada apenas durante a encarnação, mas é criada antes dela e alterada e acrescida durante a vivência como ser humanizado.
Outro aspecto importante de se saber antes de começarmos realmente nosso estudo: não existe apenas um tipo de verdade na mente.
Ela é composta por dois tipos distintos de verdades: as “genéricas” e as “individuais”. É preciso que assim seja para que exista a vida em coletividade. Com o entendimento do que chamamos de “verdade genérica” esta afirmação será compreendida.
Por favor, olhe para onde estou apontando e me diga o que é aquilo?
Participante: Uma parede.
Outra pessoa, por favor, me responda o que é aquilo que estou apontando?
Participante: Também vejo uma parede.
Ou seja, classificar aquela forma como “parede” é uma verdade comum a todos os seres humanizados. Todos que olharem para ali dirão que aquilo é uma parede.
Mas, como cada um chegou à conclusão de aquilo é uma parede? Já vimos esta resposta: porque existe um referencial (verdade) na mente de cada um determinando que o que foi percebido é uma parede.
Portanto, existe um grupo de verdades nas mentes humanas que é igual para todos. Isto é que chamamos de “verdade genérica”: aquela que é igual para todos.
O reconhecimento das formas e objetos do mundo carnal se dá através das verdades genéricas arquivadas no ego ao qual o espírito que encarnará no planeta Terra se ligará. Todos os egos dos habitantes do planeta Terra possuem a mesma verdade genérica sobre as formas e objetos para que possa haver a vida coletiva.
Imagine se isto não fosse real. Um olharia para um determinado objeto e diria uma coisa e outro “veria” algo diferente. Lembro, como fiz quando falei do reconhecimento da pigmentação rotulada como vermelha, que não estou falando apenas de nomes, mas de reconhecimento de objetos. Imagina o caos que seria se as verdades sobre a “janela” fossem diferentes?
Por isto os egos possuem verdades genéricas: para permitir a construção de uma realidade comum a todos. Sem isto não poderia haver o mundo material.
Agora, o trabalho da mente não para por aí. No seu conjunto de verdades estão embutidos mais elementos do que apenas as verdades genéricas que afirmam existir ali uma parede.
A partir da observação da parede, cada um começará a emitir opiniões pessoais sobre ela: se a pintura é “feia ou bonita”, se ela está “bem ou mal” construída, se a existência dela é “boa ou má”. Estes elementos, que fazem parte da verdade sobre esta determinada parede, são as “verdades individuais” que cada mente utiliza e insufla o ser humanizado subjugado por ela a acreditar.
Repare que neste aspecto, diferente da “verdade genérica”, não existe universalidade nem eternidade. Enquanto que na primeira fase (reconhecimento da forma e/ou objeto) todos vêem a mesma coisa, aqui já é bem diferente.
Alguns a acharão “bonita” e “boa”, mas outros considerarão que a parede é “má” e “feia”. Ou seja, cada um “achará”, guiado pela sua mente, diferentemente do outro. Mesmo que haja concordância em gênero (“bonita” e “boa”), isto não acontecerá em grau. Além disso, o que hoje parece “bonito” amanhã poderá ser “feio”, dependendo da crença do momento.
É por estes dois motivos (a sua crença ser individual e transitória) que afirmo que este componente da realidade ditada pela mente é uma verdade particular, individual.
Participante: O problema é quando um quer que o outro ache também “ótimo” aquilo que ele acha, não?
Sim. Mas, mais que esta compreensão, é preciso viver-se com a realidade de que, mesmo que duas pessoas classifiquem como “ótimo” algo, esta classificação terá um grau diferente entre estes seres. O que cada um achar desta parede, mesmo que seja traduzido na mesma palavra, jamais conterá em essência o mesmo grau daquilo que o outro “acha”.
Este é o primeiro aspecto que precisava abordar antes de começarmos nosso estudo: saber o que é mente.
Mente é, portanto, um conjunto de verdades genéricas que cria o mundo carnal para a existência do ser humanizado e um conjunto de verdades individuais que dá as características individuais a estas coisas e, com isso, cria uma identidade, uma personalidade.
Mas, ainda precisamos continuar compreendendo outros aspectos antes de iniciarmos a análise dos textos de Sri Krishna.
Falei inicialmente que este estudo objetiva “controlar a mente”. Agora que já conhecemos o que é mente, vamos começar a falar sobre o controle em si.
Será possível se controlar as verdades genéricas? Será possível se libertar das verdades genéricas que a mente cria? Será que um ser humanizado pode ter uma compreensão diferente do que é uma parede de outro? Não, pois as verdades genéricas são iguais para todos e necessárias para a criação da vida na ilusão material.
Enquanto você, o espírito, estiver ligado à mente olhará para aquele objeto e acreditará que ele é uma parede. Não tem jeito, não há como alterar a compreensão sobre aquele objeto porque ela é universal e eterna. Portanto, posso afirmar que neste aspecto não há como controlar a mente.
Mas, e as verdades individuais, há como controlá-las? Claro que sim. Basta apenas conferirmos o que já acontece na vida de um ser humanizado para entender que isto é possível.
O ser humanizado vive mudando de opinião constantemente sobre as coisas do mundo. Em um momento “gosta” de algo e diz que aquilo é “bom” para ele, mas em outros afirma que a mesma coisa “não presta” e que, portanto, não “gosta” dela. Ou seja, mesmo sem exercer o controle da mente, o ser humanizado não vive eternamente com a mesma verdade individual sobre as coisas do mundo.
A partir desta simples constatação de algo que é corriqueiro numa existência humanizada, podemos crer, então, que as verdades individuais presentes na mente de cada um podem ser controladas. Por isso afirmo: é neste aspecto que se executa o controle da mente para se alcançar a elevação espiritual.
É por isso que Krishna afirma no Bhagavad Gita: o verdadeiro sábio transita entre as coisas do mundo (vive com as mesmas verdades genéricas que o ser subjugado pela mente), mas não está apegado a elas. O apego que o mestre diz que o homem sábio libertou-se é justamente a subjugação à verdade individual imposta pela mente, o acreditar que aquilo que a mente diz é Real.
Acreditar nas verdades genéricas existentes na mente não cria problemas à elevação espiritual. Para chegar perto de Deus você não precisa deixar de “ver” uma parede ali. Agora, acreditar na sua verdade individual como Realidade e querer que os outros se submetam ao que você acha, acaba com o amor e o serviço ao próximo, a doação e a caridade, que Cristo ensinou que é necessária para se aproximar de Deus.
Portanto, é isso que precisa ser controlado. Para melhor compreensão eu diria assim: é das qualidades positivas ou negativas que a mente coloca nas coisas que você precisa se libertar.
Este é o resultado do nosso trabalho. Ser “senhor da mente” é aprender a controlar a mente para libertar-se das verdades individuais que ela declara a respeito das coisas do mundo.
Veja bem o que estou dizendo: libertar-se da influência das verdades individuais. Não estou falando em mudá-las, ou seja, passar achar “certo” o que antes era “errado”. Quem pratica isso imaginando que está controlando a mente nada consegue no sentido da elevação espiritual. E o pior: só vê isso depois que não há mais tempo para mudar-se, pois já desencarnou.
Aquele que altera o sentido das verdades individuais acreditando que com isso está libertando-se da ação da mente continua subjugado a ela, pois se escravizou a uma nova crença individualizada. Por isso afirmo que o controle da mente se dá com o desapego, com o fim da submissão e não com a alteração da verdade individual.
Promover a elevação espiritual dentro do caminho ensinado por Sri Krishna é libertar-se da ação da mente, seja o que for que ela lhe diga: é “bom ou mal”, “certo ou errado”. Não se trata de “gostar” do que não se “gostava”, mas libertar-se de qualquer opinião individual sobre as verdades genéricas que a mente cria.
Para isso você precisa ter o seguinte diálogo com o seu ego. “Você está me dizendo que aquilo ‘não presta’, mas eu não acredito em você ego. Além disso devo admitir que não me sinto capaz para dizer se aquilo ‘presta’ ou não. Portanto, não serei seu escravo acreditando no seu julgamento e nas acusações e críticas que você faz, mas viverei a minha incapacidade de qualificar o objeto”.
Aprender a manter este diálogo constante com o seu ego é o trabalho que estamos iniciando agora. No entanto, para que você possa alcançar esta ação precisaremos de muito mais informações.
Necessitaremos saber o que são as “coisas” do mundo, como funciona o ego e o próprio universo. Serão necessárias, enfim, uma série de informações para que, como última utilização das verdades criadas pela mente, você possa usar todas estas informações para destruí-la.
Participante: Numa situação real. Por exemplo, a mente nos leva a culpar-nos por algo que fizemos. Como não subjugar-se a esta verdade individual?
Este é um bom exemplo onde podemos utilizar o que já aprendemos.
O que você compreendeu que aconteceu é, na Realidade, uma verdade genérica que a mente lhe disse. O que está acontecendo não se trata de uma ação externa, mas de uma verdade genérica utilizada pela mente a partir de uma percepção de movimentação.
Só que a mente não parou por aí. Além da criação da Realidade ela também qualificou o acontecimento como “ação errada sua” utilizando-se de verdades individuais.
É da junção das duas verdades criadas pela mente que nasce a sua realidade: eu pratiquei tal ação e ao fazer isso estou “errada”.
Agora veja bem. Não importa qual situação seja que você se diga errada, sempre haverá outra pessoa que se julgará “não errada” ao vivenciar a mesma verdade genérica. Ou seja, sempre haverá uma pessoa que receberá de sua mente verdades individuais que justifiquem a ação de tal forma que ela deixe de ser “errada”.
Por isto, independente do que tenha praticado, posso afirmar que esta culpa é só sua e não Real. Isto porque ela é individual e não universal e, por isso, precisa libertar-se desta qualificação para poder elevar-se espiritualmente.
Mas fazer isso, como expliquei anteriormente, não é alterar o sentido da afirmação da mente, mas não subjugar-se ao que ela fala. Neste exemplo, dominar a mente não seria achar-se “certa”, mas não querer saber se está “certa” ou “errada”, declarar-se incapaz de julgar-se.
Ao invés de apegar-se a qualquer qualificação que o ego lhe dê para uma verdade genérica, viva sem querer saber se o acontecimento está “certo ou errado”, um “bom ou mal”. Ao invés de querer qualificar o que está acontecendo, afirme o seguinte: “eu agi desta forma e não vou aceitar nenhuma qualificação para minha ação. Não quero saber se estou ‘certa’ ou errada’. Ego, não serei escrava do seu julgamento”.
Participante: Mas, o outro nos acusa.
Mas, não é por isso que você precisa sentir-se acusada. Compreenda: o outro age assim porque está escravizado às verdades do ego dele e não porque o seu “erro” tenha existido realmente. Portanto, a “culpa” está apenas na mente dele e não na Realidade.
Agora, para se agir desta forma, para se entender que o erro está na mente de cada um e não na Realidade, é preciso que compreendamos o que é uma acusação, como você se sente acusada e outros aspectos referentes a esta verdade genérica (ser acusada).
Ao longo deste trabalho isso será feito justamente para aprendermos a ser senhor de nossa mente. No entanto, deixe-me já explicar uma coisa: ninguém pode fazer nada a você; só você pode decidir o que vai viver.
Se alguém lhe acusar e você não se sentir assim, haverá uma acusação? Claro que não. Então, não foi o outro que lhe acusou, mas você que se sentiu acusada, ou seja, acreditou na qualificação de acusação que a mente deu à verdade genérica que aconteceu (o que a outra pessoa falou) e viveu tal realidade.
Isso é bem diferente da compreensão da vida que hoje você tem, não? Por que? Porque viver desse jeito, com esta compreensão, é o fruto que colhe aquele que dominou a sua mente, que alcançou a elevação espiritual. Deixe-me contar uma história para você compreender o que estou dizendo.
Havia um velho samurai muito sábio. Ele ensinava a arte da luta a alunos jovens. Um dia, um destes jovens, que era muito ganancioso e queria o lugar do velho professor, o desafiou para um duelo. Os demais alunos temeram pelo seu mestre, mas, incrédulos, assistiram o professor aceitar o desafio.
No dia marcado os dois estavam no meio da praça. Em volta os alunos do professor estavam apreensivos, pois sabiam que apesar do velho professor ser e muito sábio e experiente, o jovem era muito mais forte. Temiam pelo destino do seu mestre.
Quando se enfrentaram olho no olho o jovem, para atiçar o mestre e com isso ganhar vantagem, começou a ofendê-lo. Xingava a ele e seus ancestrais manchando a honra de cada um de uma forma extremamente violenta.
Apesar disso, o velho mestre continuava impassível. Não fazia o menor movimento de ataque ao jovem o que exasperava ainda mais o pretendente à posição do professor. Com isso, os impropérios e ofensas aumentavam cada vez mais.
Os outros alunos do mestre já estavam perplexos e sentiam-se humilhados. “Como, o nosso mestre é ofendido publicamente e não reage. Que humilhação”. E, cada vez que as ofensas aumentavam, os alunos mais se ressentiam da apatia do seu professor.
Esta situação durou por longas horas e consumiu todo um dia. O jovem ofendia, o mestre permanecia impassível e os outros alunos sentiam-se humilhados. Até que, cansado de tanto ofender, o jovem virou-se e foi embora sem lutar.
Os demais alunos, então, chegaram-se ao seu mestre e demonstraram toda a indignação que estavam sentindo por vê-lo tão humilhado sem reação. Foi neste momento que o mestre demonstrou toda a sua sabedoria ensinou:
- “Se alguém lhe dá um presente mas você não o aceita, o que esta pessoa faz? Leva-o de volta, não? Então, todos os insultos que este jovem me trouxe de presente e que, com a minha passividade demonstrei que não aceitava, teve que levá-los de volta. Eles não estão mais comigo, mas foram levados de volta pelo rapaz. Se reagisse a cada ofensa eu demonstraria que aceitei o presente e aí sim, teria sido realmente insultado”.
Esta história responde à sua pergunta. Domine a sua mente e não aceite os presentes que ela lhe dá e você não se sentirá acusado de nada.
Voltemos ao nosso estudo. Como disse, dominar a mente é eliminar a submissão das verdades individuais que o ego lhe impõe. Agora, será que fazer isso é realmente alcançar a elevação espiritual?
Pergunto assim porque estou falando com seres ocidentais, não afetos à doutrina deixada por Sri Krishna que é comum em outra parte do planeta. Será que nos ensinamentos ocidentais (Bíblia Sagrada) existe a informação deste “caminho” para se chegar a Deus? Pode não haver referência explícita ao domínio do ego, mas para quem entende os ensinamentos da Bíblia Sagrada há a compreensão que o controle da mente é o caminho para elevação espiritual.
Vamos ver um trecho deste livro sagrado para encontrarmos a necessidade de ser senhor da mente como caminho para Deus.
A cobra era o animal mais esperto que o Deus Eterno havia feito. Ela perguntou à mulher:
- É verdade que Deus mandou que vocês não comessem as frutas de nenhuma árvore do jardim?
A mulher respondeu:
- Podemos comer as frutas de qualquer árvore, menos a fruta da árvore que fica no meio do jardim. Deus nos disse que não devemos comer dessa fruta nem tocar nela. Se fizermos isso, morreremos.
Mas a cobra afirmou:
- Vocês não morrerão coisa nenhuma! Deus disse isso porque sabe que, quando vocês comerem a fruta dessa árvore, os seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal.
A mulher viu que a árvore era bonita e que as suas frutas eram boas de se comer. E ela pensou como seria bom ter conhecimento[7].
Ou seja, a Bíblia ensina claramente que Eva achou como seria bom ter conhecimento (verdades individuais) para que ela aplicasse valores às coisas do mundo. Este é o pecado original.
Muito se fala deste dogma da religião católica e diversas religiões nem aceitam que ele exista. Muitas verdades individuais são atribuídas a este termo, mas o que está escrito é claro: o pecado cometido originalmente pelos espíritos é querer usurpar de Deus o direito de conferir valores às coisas do mundo.
Você, espírito que hoje está humanizado, é uma Eva ou um Adão, pois ainda vive no pecado original, ou seja, ainda aplica valores às coisas do mundo, ainda julga o mundo. Por causa de querer agir assim foi “expulso do paraíso”, o mundo espiritual, para o lugar de “morte”, a vida carnal.
Por ainda não ter se libertado do conhecimento que determina valor para as coisas é que ainda está preso à roda das encarnações. Ou seja, você ainda está reencarnando para promover a elevação espiritual porque não conseguiu desfazer-se deste conhecimento e continua utilizando as verdades individuais que o ego dá como Realidade, como Verdade.
E se você foi expulsa por este motivo, como voltar para lá, ou seja, o que será promover a reforma íntima? Abrir mão deste conhecimento. Como fazê-lo? Não mais acreditando no que o ego lhe diz.
Então, a libertação da subjugação à mente é ensinamento de Krishna, da religião hinduísta, mas também está presente na Bíblia Sagrada. Portanto, é universal: vale para todos os espíritos encarnados. Desta forma posso dizer que sem o controle da mente, por mais que anseie aproximar-se de Deus, jamais haverá a elevação espiritual.
Hoje, para os espíritos encarnados no ocidente, ou seja, seres humanizados que estão apegados a egos ligados às verdades das religiões cristãs, a elevação espiritual nada tem a ver com controle da mente. Eles acreditam que apenas a prática da caridade material é suficiente para se elevar e por isso desdenham esta atividade.
Preocupam-se em levar um prato de comida para quem precisa e acha que desta forma tudo ficará “bem” para eles, que apenas com isso conquistarão o “reino do céu”. Não gastam um momento sequer nas suas existências para questionar esta própria verdade que é o ego que lhes dá. Se questionassem as verdades que acreditam veriam que a elevação espiritual é muito mais do que doar materialmente.
Foi o que fizemos. Lemos a Bíblia Sagrada que eles leram e na qual Cristo se baseou para transmitir os seus ensinamentos e encontramos outra coisa completamente diferente com relação ao “pecado original” e ao “retorno ao paraíso”. Descobrimos que lá não está dito que o ser universal foi expulso do paraíso e ingressou na roda de encarnações porque não ajudou os outros, mas porque julgou os outros.
Aplicando-se ao escrito esta lógica simples desfizemos em poucos instantes verdades que o ego cristão criou sobre elevação espiritual. E, baseado no que descobrimos podemos então dizer que os ensinamentos da Bíblia afirmam que enquanto o ser universal continuar julgar as “coisas” [8], não conseguirá voltar ao seu Real mundo: o espiritual.
A partir daí você que é cristão precisa incorporar ao seu trabalho de reforma intima também o controle da mente, mesmo que as verdades da sua religião não falem disso. Repare que não estou falando em deixar de praticar à caridade, que aliás também é um ensinamento universal, mas fazer mais isto além daquilo.
Quando realizar o controle do ego continuará praticando a caridade ensinada pela sua religião, mas deixará de acreditar no “pobre coitado” que a mente utiliza para qualificar aqueles que estão sendo amparados através da caridade material e só aí poderá chegar perto de Deus. Não só porque ajudou, mas porque não mais quis ter o poder de julgar o mundo.
Portanto, dar o prato de comida é fundamental para a elevação espiritual, mas desde que seja acompanhado do não julgamento. Só o trabalho realizado dentro do conjunto de caminhos ensinado por todos os mestres pode levar qualquer ser humanizado a aproximar-se de Deus e viver a felicidade que ele tem prometido.
Hoje os cristãos não têm esta verdade presente no seu ego, mas Cristo teve e por isso ensinou constantemente: não julgue, tire a trave do seu olho, você tem que deixar de qualificar as ações do seu inimigo, não critique.
Voltaremos aos ensinamentos de Cristo mais tarde. Por hora, continuemos com a introdução deste estudo.
Definimos no início que o objetivo desta obra era ensinar a cada um a controlar sua mente. Falamos até agora da mente definindo-a e mostrando o seu conteúdo e explicamos como controlá-la. Portanto, dentro do objetivo traçado, precisamos agora falar de você.
Quem é você? Grande pergunta, não? Os seres humanizados convivem consigo mesmo durante décadas e nem sabem que são.
A resposta mais comum a esta pergunta para aqueles que são espiritualistas é definir-se como espíritos. No entanto, para estes tenho uma série de perguntas que desmentirão esta visão de si mesmo.
Por exemplo: onde você acredita que nasceu?
Participante: Eu ou o espírito?
Você, no que você acredita, o que é real para você agora: é isso que estou perguntando. De nada adianta filosofarmos sobre o assunto mostrando toda a cultura espiritual que já adquirimos e responder através do conhecimento cultural, pois esta forma de proceder não nos deixará chegar à compreensão alguma.
Que adianta me responder que o espírito nasceu no Universo e é gerado por Deus se agora, neste momento, você não vive com esta Realidade? Nós somos o que somos no dia a dia e não aquilo que acreditamos ser. Somos as verdades com as quais convivemos sobre nós mesmos no cotidiano e não aquilo que culturalmente conhecemos.
Qual a sua realidade hoje? O que acredita sobre você hoje? Que é mulher ou homem, casada (o) ou solteira (o), que tem tantos anos de idade, que tem como pai e mãe determinados seres humanizados, nasceu em uma cidade específica. Este conjunto de verdade é o que você acredita ser e são eles que determinam a sua identidade atualmente e não aquilo que culturalmente diz ser.
Mas, nada disso é do espírito, do mundo espiritual. Tudo isto pertence à materialidade, à vida humana. Portanto, me responder que você é um espírito de nada vale para o conhecimento da Realidade e em nada ajuda no aprendizado do controle da sua mente como instrumento da elevação espiritual.
Volto, portanto à minha pergunta: quem é você hoje? Com certeza não é um espírito porque nas suas Verdades e Realidades não há nada de espiritual.
Eu diria o seguinte sobre você ou qualquer outro ser humanizado: você é um espírito, mas está um ser humano e aquilo que está é o que é.
Este conhecimento é importante para que não se viva a ilusão (maya) de que se pode agir espiritualmente enquanto estiver humano. Enquanto não assumir o que está, mas que não é, como mudar-se?
De nada adianta para um ser humanizado que busca a Deus dizer que é um espírito enquanto estiver humanizado, pois desta forma imaginará que já promoveu a reforma interior apenas por conhecer uma Verdade. Enquanto a sua realidade não se alterar, a verdade existente é apenas cultura inútil, palavra sem obra.
Porque, para que você possa ser espírito é preciso estar espírito.
Participante: Quer dizer que enquanto eu estiver encarnada não poderei ser um espírito?
Não foi isso que disse. Não é enquanto você estiver encarnada que não poderá viver espiritualmente, mas sim enquanto estiver submissa as verdades sobre si mesmo que possui hoje e que determinam a sua identidade e a realidade em que vive .
O que é um ser humanizado? É um espírito que está com a sua consciência[9] espiritual encoberta pelo que foi chamado de “véu do esquecimento” e no lugar desta é guiado por um ego, uma mente temporária criada para uma encarnação.
O que determina, portanto, a humanização (ou período chamado de encarnação) não é a carne, mas as verdades que o ser espiritual utiliza para reconhecer a si e ao mundo em que vive.
Estas verdades não são geradas pela carne, mas sim pelo ego. Por isso posso afirmar que o determina o período de existência chamado de encarnação não é aquele que o ser universal permanece ligado a uma massa carnal, mas aquele que permanece subjugado pelo ego.
Quem consegue promover a reforma íntima libertando-se da ação do ego tornando-se senhor da mente, não sai da carne (continua vivendo ligado a esta massa densa), mas pode voltar à sua Realidade (ser espírito). Com isto será e estará espírito e nada mais restará da humanização e a encarnação (oportunidade dada por Deus para a elevação espiritual) acabará, sem que para isto precise “morrer”.
Baseado nesta Verdade do Universo, posso afirmar que existem espíritos encarnados e seres universais humanizados em todos os recantos do universo e em todas as “dimensões espirituais”.
Assim como existem seres universais ligados à matéria densa libertos da ação do ego, também há espíritos que se desligam da carne mas continuam submissos ao ego e, portanto, ainda estão humanizados apesar de não serem mais reconhecidos como “seres humanos”.
Participante: Um exemplo de espírito fora da carne mas preso a um ego humano?
Os chamados “fantasmas”. Eles ainda acreditam nas verdades genéricas do ego (sua nome, suas posses, sua família) e vivem dentro dessa realidade sem ao menos se dar conta de que não estão mais presentes na vida material.
Ele é o mesmo ser humano que foi durante o período que estava ligado à matéria densa: só que não tem mais a carne. A humanidade não mais os considera ser humano, mas é, porque ainda possui a mesma identidade transitória criada pelo ego que viveu enquanto encarnado. A encarnação, portanto, não é ligar-se à carne, mas assumir uma identidade humana e, com isso, deixar a sua Realidade espiritual.
Respondendo à sua pergunta, então, a identidade espiritual pode ser vivenciada sem que para isso seja preciso desencarnar.
Quanto à minha pergunta anterior (quem é você) afirmo que todos os habitantes do orbe terrestre na massa densa são espíritos, mas estão humanizados. E se a humanização, como já descobrimos, não é ditada pela carne em si, afirmo: você não é o espírito e nem a carne, mas um ser universal humanizado.
Participante: Quer dizer que eu posso vir a viver nesta carne liberta do ego?
Sim e aí poderá se auto reconhecer como espírito e viver uma vida espiritual encarnada. Nela poderá ter acesso a todas as propriedades espirituais que lê na literatura espírita sem desligar-se da matéria densa. Isto se chama elevação espiritual e é resultado do trabalho de reforma íntima. É isso que Krishna quis dizer quando afirmou que os verdadeiros sábios são aqueles que transitam pelas coisas do mundo sem apegar-se a elas.
Este é o objetivo da encarnação e é possível de ser feito.
Participante: Deve ser difícil, não?
Sabe quem está dizendo que será difícil? O ego. Se você acreditar nele, se não for senhora dele, será muito difícil realmente.
Ao lhe responder desta forma já podemos começar o trabalho desta obra, apesar de estarmos ainda na introdução. O primeiro grande ensinamento para aquele pretende promover a reforma íntima, tornar-se senhor da mente, é ter sempre sobre controle quem está “falando” naquele momento.
Para que este controle possa ser exercido digo: tudo o que lhe surge através do pensamento é o seu ego quem está falando, seja “positivo” ou “negativo” para você. Não se pode separar a ação do ego em “boa” ou “má”, “certa” ou “errada”: tudo o que ele diz é ilusão, maya, mesmo que você entenda que aquilo é “certo”.
Por exemplo: tudo que o seu ego está lhe “dizendo” agora sobre este texto (compreensão do que está sendo lido) é apenas o que ele está dizendo e não a Realidade. O que estou falando e a Realidade Universal embutida nestas palavras, não são alcançados por você, mas apenas a interpretação que o ego dá de acordo com as suas verdades individuais. Não esqueça que Krishna atribui o valor de maya (ilusão) a tudo o que o ego produz e não apenas a alguma parte da produção da mente.
Mas, o mestre vai ainda mais longe na classificação daquilo que surge do ego: ilusões fantasmagóricas. Para Krishna os seres humanos são “espíritos fantasmas”, ou seja, elementos do universo que são uma coisa, mas que vivem com realidades de “outro mundo”.
Porque TUDO[10] que surge do ego são ilusões que nada tem a ver com a Realidade.
Participante: O ego cria tudo o que vivemos, é isto?
Sim. Ao criar uma realidade ele cria a sua vida. Como estas realidades não são espirituais, posso afirmar que tudo o que vive hoje é material, mesmo que seja a sua busca espiritual ou religiosa.
Participante: E o que é preciso para aprendermos a viver em espírito?
O que todos os mestres ensinaram: libertar-se da matéria, da vida material, do bem terrestre. Para isso é preciso se libertar das realidades ilusórias que a mente cria para poder entrar na Realidade. Por isso a importância de se aprender a se controlar a mente e libertar-se desta subjugação e, por isto também, continuemos nosso trabalho.
Então, afirmei que você é um espírito, mas está ser humano. O que é o ser humano?
Participante: Aquilo que o ego lhe diz que é.
E tudo o que o ego lhe diz é uma ilusão, uma irrealidade, nada que seja Real. Portanto, o ser humanizado é uma ilusão, um “nada” de Real. Vamos explicar esta afirmação.
O ego só existe numa encarnação e acaba: não é eterno. O ego só vale para você e não para todos, pois cada um “conhece” você de um jeito diferente. OU seja, ele não possui as duas características necessárias para que algo seja Real: eternidade e universalidade.
Participante: O ego é uma ilusão?
Sim, uma ilusão temporária
Você, que acredita em reencarnação, sabe que já teve com certeza muitas outras vidas. Nelas pode ter se chamado José ou Maria. Cadê estas pessoas que você foi? Acabaram, não existem mais. Foram identidades ilusórias e temporárias que você imaginou serem reais durante um determinado período de sua existência espiritual, mas que hoje não existem mais.
E sabe o que acontecerá com aquele que pensa que é hoje? Acabará também. E se você estiver preso a quem imagina ser hoje, o que acontecerá com você no futuro? Acabará, morrerá.
Todos aqueles que você “foi” e quem está hoje, portanto, são ilusões, algo que não real para o universo. Os espíritos, sem cor, sexo, nome, raça ou quaisquer outras ilusões fantasmagóricas sobre si mesmo, este são Real. Isto porque eles são eternos e universais, ou seja, idênticos entre si.
Não existem dois espíritos diferentes, pois Deus, dentro da Sua Perfeição, gera todos iguais. Ele não poderia “dar mais” a um do que a outro, sem que com isso ferisse a Justiça Perfeita e o amor Sublime que possui.
Por isto volto a afirmar: o espírito é universal e eterno e só ele é Real. O ser humano é uma ilusão.
Este conhecimento, a prática desta informação, é fundamental para poder se aprender o controle da mente. Saber que a vida que leva hoje e você mesmo são ilusões que acabará, é fundamental para a prática do desapego necessário às coisas materiais que nos aproxima de Deus.
O apego às coisas materiais é apontado por todos os mestres como algo que precisa ser vencido para que se alcance a elevação espiritual. Neste sentido lhe pergunto: para que você defende seu corpo, seu nome, sua honra humana? Nada disso é eterno ou Real, mas apenas ilusões temporárias que tem “fim” certo. Por que então defendê-las com tanto ardor?
Além do mais, não compreende que quando defende os aspectos humanos ilusórios com que vive hoje esquece de defender o espírito que é e perde a sua paz, tranqüilidade e felicidade, que são ingredientes necessários à plena existência espiritual.
Para defender o ser humano que imagina ser hoje o espírito humanizado agride a sua existência espiritual e faz o espírito sofrer. Por que? Porque nem sabe o que é a existência espiritual e do que ela se compõe. Iludido sobre as verdades que o ego criou a partir da literatura espírita defende o materialismo crente que está defendo sua espiritualidade.
Fala-se muito no planeta Terra na vida do espírito, no bem espiritual, mas estas não têm nada a ver com os mesmos elementos materiais (vida e bem). Afirmo que o que o ego lhe diz e você acredita ser “elevação espiritual” é ilusão, irreal, pois tudo o que a mente cria é maya.
Quer ver um exemplo: sabe o que vai acontecer com você quando for elevado, quando completar a reforma íntima? Muitas respostas podem estar sendo dadas pelo ego agora (vou viver em cidades espirituais, ser “socorristas[11]”, etc.), mas nada que se compare à Realidade, que é sempre muito mais simples do que a mente cria.
O que diferencia a vida espiritual da material não é onde se vive ou o que se faz, mas sim o “estado de espírito[12]” com o qual o ser universal vive. A única diferença entre ser humanizado e universal é que o espírito liberto da ação ilusória da mente alcança a “bem-aventurança” como Cristo ensinou, enquanto que o ser humanizado não consegue atingir a este estado de espírito.
Mas, o que “bem-aventurança”? Cristo ensinou e falou o tempo inteiro de sua missão a respeito deste estado de espírito, mas os seres humanizados até hoje não compreenderam este ensinamento. Trata-se da mesma felicidade que os “santos” sentem[13], ou seja, uma vida vivenciada na paz, felicidade incondicional e harmonia com o mundo.
Para poder se viver a existência espiritual é preciso que estes estados de espíritos estejam presentes nas Realidades que se vivencia. Portanto, quando, para defender a sua honra, o seu nome, a sua pessoa durante a vida carnal o seu “estado de espírito” é alterado, está defendendo quem: o espírito ou o ser humanizado? Está vivendo em que Realidade: a material ou a espiritual?
Por isso reafirmo: é importante você compreender que aquele que acredita ser hoje é uma ilusão; que a vida que leva hoje é fantasia; que a existência e as coisas que considera suas são coisas ilusórias e irreais para o Universo. Sem isso não se controla mente alguma e aí não se promove elevação espiritual nenhuma.
Quem valoriza aquele que imagina ser não consegue nada no sentido de realização espiritual. Por esta valorização do que é ilusório sai “brigando” com todos para defender quem imagina ser e nada realiza. A estes. Deus tem sempre um lembrete: não foi para isso que você nasceu.
Através de todos os mestres da humanidade o Pai tem sempre mostrado aos seres humanizados que não existe defesa para aqueles que imaginam ser. Ou, como Cristo ensinou: se lhe baterem numa face, ofereça a outra; se lhe pedirem a capa, dê o manto; se lhe mandarem carregar um peso um quilômetro, carregue dois.
Portanto, preserve o seu lado espiritual participando das ações da vida material sem defender a materialidade, mas a sua espiritualidade.
Participante: Mas, mesmo tendo a consciência espiritual nós precisamos seguir a vida material que temos, não é mesmo? Trabalhar, conviver em família... Ou será que é isto que temos que abandonar?
Tem que seguir a vida eu está vivendo, mas não pode seguir a vida de quem imagina ser hoje.
Veja bem. Eu não falei em viver atos espirituais ao invés dos materiais, mas, nos acontecimentos de sua existência carnal preservar a sua existência espiritual. Não falei em parar de trabalhar materialmente (ter emprego), namorar, passear, comer, mas nestes momentos preservar a sua integridade espiritual ao invés de viver cada momento deste preservando as ilusões que o ego lhe dá que são do ser humanizado e não do espiritual.
Preservar a sua integridade espiritual não se trata de não comer determinado alimentos, como fazem, por exemplo, os vegetarianos, ou deixar de se alimentar de elementos materiais como buscam outros grupos, mas, ao comer o que lhe for servido, não acreditar no gosto da comida ou na preferência alimentar que o ego lhe dita.
Se, ao se alimentar, a mente afirmar que não deveria comer tal tipo de alimento ou que a comida está gostosa, não acredite nisso. Diga a si mesmo: “não sei se deveria comer isto ou não, se a comida é gostosa ou não; só sei que este é o alimento que estou ingerindo”. O que você está comendo é Real, mas o que o ego afirma sobre isso é ilusão. Lembre-se que até Cristo lutou contra o ego na hora de alimentar-se[14].
Para preservar a sua integridade espiritual não há necessidade de abster-se do trabalho material e viver em meditação, como muitos acreditam. Não é parar de trabalhar, mas ao ir para o seu emprego e durante o tempo que estiver lá, não acreditar nas verdades que o ego lhe dá: “que trabalho chato o meu”, “que coisa horrível que eu faço, queria estar fazendo outra coisa”, “estou muito cansado hoje para fazer tudo isso”, “eu merecia ganhar muito mais e ter uma posição elevada dentro da empresa”.
Este é o seu trabalho material. Ele se compõe de tudo o que está fazendo hoje, do salário que recebe por isso e da função que ocupa naquele momento. Isto é Real. Todo resto são ilusões que o ego lhe cria para que você não exerça naquele momento o seu estado de espírito universal: paz, felicidade incondicional e harmonia com o mundo.
Portanto, não pare de trabalhar, mas aprenda a dominar a sua mente silenciando a realidade que o ego está criando e vivencie o seu momento material com consciência espiritual.
Participante: E quando este ego é tão potente que é mais forte do que nós. Qual é a saída para lutar?
Não existe ego forte: existe espírito fraco. Não há ego que domine: existe espírito que se deixa dominar.
Participante: Que seja. Qual a saída na prática?
A saída na prática é o orai e vigiai que Cristo ensinou[15].
Participante: Se mesmo assim não se consegue?
É porque a oração e a vigilância estão fracas, ou seja, porque está centrado no ser humano e não na sua realidade espiritual: ser universal. Se estivesse centrado na sua Realidade estaria em união com Deus, que é o centro do Universo para todo espírito; se estivesse vigilante, suas “defesas” jamais seriam quebradas.
Portanto, se você acha que o seu ego é muito forte e lhe subjuga sempre, tenha uma auto defesa à altura do seu “inimigo”, ou seja, esteja mais vigilante na sua busca espiritual e concentre-se mais em Deus e na existência espiritual, ao invés de se preocupar com o “destino” e a felicidade do ser humanizado.
Veja bem: se imagina que o seu ego é muito forte, você precisa ter um exército a altura dele para defender a sua “cidade”. Portanto, você precisa estar sempre em contato com os ensinamentos de auto defesa do espírito para fortalecer a sua guarda.
Agora, fazendo isto ou não, lhe garanto que todos os espíritos humanizados têm condições de vencer o seu ego. Por que posso garantir que todos os seres humanizados têm condição de vencer o seu ego?
Participante: Porque o senhor conhece a Verdade.
Não; eu não sou o “santo” ou o sábio (espírito muito evoluído) que vocês imaginam. A resposta é mais simples: porque estão encarnados, porque estão ligados a uma mente.
Vocês sabem, mas se esquecem, ou melhor, o ego não lhes deixa ver isto: se estão neste estágio da elevação espiritual (vida encarnada) é porque se julgaram prontos para trabalhar pela reforma íntima desta forma e Deus confirmou isto dizendo “vá lá, meu filho e faça”.
Se não estivesse preparado para a batalha da elevação espiritual Deus não deixaria você vir para a encarnação. Para que deixar? Para contrair mais dívidas? Não, o Pai ama seus filhos e não os deixaria “sofrer” à toa.
Além disso, nem você como espírito, de posse da sua consciência espiritual, se deixaria seduzir pela tentação de elevar-se sem estar preparado. Não seria bobo de assim agir sabendo o quanto custa ao espírito a derrota em uma encarnação.
Portanto, todos que hoje estão ligados a egos estão prontos para colocar em prática todos os ensinamentos deste livro: isto eu garanto. Senão não estaria encarnado.
Participante: Por que, então, noventa por cento dos espíritos humanizados não conseguem a elevação espiritual?
Não é noventa por cento, mas noventa e nove vírgula nove por cento dos espíritos humanizados não conseguem a elevação espiritual, apesar de estarem todos prontos para isso. Por que? Porque vivem para o ego, submissos às realidades criadas pela mente, a começar pela visão sobre si mesmo.
Participante: Então, um espírito reencarna diversas vezes para fazer a reforma íntima e não consegue. Hoje está encarnado para novamente vencer o ego, mas como fazê-lo se não tem nem nunca teve consciência de que este é o trabalho?
Isto que você está dizendo é apenas uma justificativa gerada pelo seu ego. Todos os mestres em todos os tempos, com estes termos ou em outro sentido, sempre afirmaram que não se deve viver para a matéria, mas para o espírito. Nós apenas estamos lembrando o que os mestres ensinaram e não criando novidades.
Participante: Está certo o que o senhor disse, mas o ensino era velado e aqui está sendo conversado abertamente. Acho que este pedaço da compreensão que está sendo levantado deveria ser levado a todos os seres humanizados, mas, somos poucos recebendo esta informação.
O que você quer não pode acontecer sem que com isso firamos os preceitos universais. Lembre-se que nem Cristo nem nenhum mestre esperaram haver o mundo globalizado e dinâmico de hoje para poderem trazer suas mensagens. Eles as divulgaram em pequenas cidades e elas se espalharam pelo planeta levadas por aqueles que as ouviram.
Esta forma de divulgação faz parte dos preceitos universais criados por Deus. Ou, como disse o Espírito da Verdade, em cada mundo (planeta) o espírito toma “um instrumento de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta” [16].
Se tomássemos proporções universais, ou seja, se este ensinamento tivesse repercussões planetárias, não se daria a chance de espíritos trabalharem pela obra divina. A divulgação de qualquer ensinamento espiritual é como o trabalho de uma formiguinha: se cada uma não pegar um pedaço da folha e transportá-lo até o formigueiro este jamais se encherá de alimentos.
Veja se você está aqui participando desta conversa (no caso lendo este livro) e entender o que está sendo ensinado, faça o seu trabalho de formiguinha: saia e fale com outro. Se cada um falar com mais um pelo menos, quantos não serão atingidos?
Agora, mesmo que você e todos aqui façam a sua parte, pouquíssimos conseguirão a elevação espiritual. Por que afirmo isso? Porque a reforma íntima depende do livre arbítrio de cada um.
A reforma íntima não depende de cultura, saber, mas de ação. Mesmo que todos soubessem o que está sendo dito aqui, mas não fizessem o controle de suas mentes, jamais conseguiriam acabar com o círculo de encarnações. A reforma íntima é uma ação que deve ser executada a partir de um conhecimento e não apenas o próprio saber.
Aí reside o problema. Nenhum ser humanizado está realmente disposto a promover a sua reforma íntima através da ação porque para isto tiram que abrir mão do “eu” que imaginam ser e da ilusão que chamam de “minha vida”.
Promover a reforma íntima é mudar o objetivo da vida de cada um: ao invés de buscar satisfazer as condições humanas, priorizar as espirituais. Isto é muito difícil para um espírito encarnado realizar porque gosta de si mesmo como ser humano e da vida que leva, esteja como estiver. Como diz o poeta, “por mais que esteja errada, ninguém quer a morte, só saúde e sorte”.
Participante: Porque não sabe nem acredita que exista uma vida “melhor” do que esta...
Na verdade, por mais espírita[17] que a maioria dos seres humanizados seja, eles não convivem com a realidade da existência da outra vida. Eu, como espírito desencarnado, já vi seres humanizados que se dizem espíritas chorarem no enterro do pai.
Na verdade são espíritas apenas na cultura e não na prática porque ainda se submetem ao ego. Por isso, quando alguma coisa acontece aos outros sabem falar, mas quando é em si mesmo não conseguem colocar na prática o que sabem.
Por que chorar pelo pai que morreu? Ele sabe que o pai continua vivo, que é um espírito, por que chorar? Por apego à figura paterna, pela prisão ao amor filial, que são frutos do ego ou mente humanizada.
Participante: Isto realmente acontece. Baseado em tudo que estuda e, por isso se passa a saber, alcança-se a convicção de o pai será mais feliz na próxima vida. Apesar disso, na hora não consegue conter-se. Isto é uma verdade.
Então, deixe-me dizer-lhe algo que pode ajudá-lo neste momento: evolução espiritual não é um trabalho cultural, mas uma ação diuturna.
Se você ler todo esta obra do início ao fim eu garanto que estará pronto para fazer a reforma íntima, mas ainda não a terá realizada. Será preciso, então, fazê-la, ou seja, colocar em prática tudo aquilo que leu e compreendeu. Se não fizer isto, de nada adiantará ler este ou qualquer outro livro a respeito de elevação espiritual.
Este é outro aspecto que quero falar com vocês na introdução do trabalho que iremos realizar. Conhecer e não praticar é prisão à letra fria e não realização de nada..
Quer um exemplo? Hoje em dia está em moda dizer-se espiritualista e, alguns, ainda acreditam que por isso são superiores aos demais religiosas, mas o que é espiritualismo, o que é ser espiritualista?
A única definição dada para este termo em um livro sagrado foi a de Allan Kardec na “Introdução ao estudo da Doutrina Espírita I” que já nos referimos. Lá ele diz assim: espiritualista ou espiritualismo é aquele que acredita haver em si algo mais do que a matéria.
Agora, o que adianta apenas acreditar? O que adianta apenas saber que existe em si algo mais do que matéria? É preciso que esta informação se transforme em ação para que haja obra e não apego à letra fria. Desta forma espiritualista não é só quem acredita, mas quem, além disso, vive para o espírito.
Portanto, de nada adianta alguém dizer-se espiritualista se não mudar o objetivo da sua vida. De nada adianta imaginar-se “melhor” por ser conhecedor de “segredos” mais profundos do que a maioria dos religiosos, se estes “segredos” não forem revelados pela exemplificação em si mesmo.
Portanto, para que estas nossas conversas sirvam de alguma coisa para você, é preciso que desde já se decida a colocar em prática o que estamos conversando. Só saber, conhecer o que é mente, como funciona, não adianta nada. Não faça isso senão a leitura será “tempo perdido”.
O problema hoje é que a grande maioria quer cultura e não sabedoria. Querem chegar a Deus pela cultura e não pela exemplificação dos ensinamentos.
Qual a coisa mais culta que existe? A estante. Ela coleciona dezenas de livros com muita cultura, mas será que por isso ela é sábia? Será que ela chega a Deus antes de nós?
O sábio é quem põe a cultura em ação. Sabedoria é cultura em ação e não acervo de conhecimentos.
Sendo assim, de nada adianta você ler tudo o que está aqui e não colocar os ensinamentos em prática. De nada vale para a elevação espiritual apenas afirmar “eu sei”, se não praticar. Todo conhecimento que não é acompanhado de uma ação de prática dele é igual a um tesouro no fundo do mar: não valerá para nada.
Todo aquele que “enterra” os seus conhecimentos com medo de perdê-los, fica igual ao empregado da “parábola dos talentos” [18] que Cristo ensinou. Este empregado guardou o “tesouro” que o patrão lhe confiou para devolvê-lo intacto, mas, por isto, foi considerado como um empregado “mal” e “preguiçoso” e por isso foi jogado no mundo de ranger de dentes, ou seja, reencarnou.
Imagine o seu diálogo com o Pai quando do retorno à pátria espiritual. Você diz a Ele “olha, eu aprendi tudo isto” e Deus lhe responde: “e daí? O que fez do recebeu?”
Portanto, este é um aspecto muito importante no caminho da elevação espiritual: transformar em ação tudo aquilo que se recebe como ensinamento.
Mas, ainda não podemos parar por aqui. Ainda temos mais um tópico para abordar dentro desta introdução: o mundo em que você vive. De nada adianta conhecer você, sua mente e a ação dela, sem conhecer o mundo em que vive, para poder controlar a sua mente.
Você é uma ilusão que vive simultaneamente em três mundos: o externo, o interno e o universal. Falo em três “mundos” porque em cada um deles existe uma “realidade” diferente. Vou criar um exemplo para ficar mais fácil à compreensão do que estou chamando de “mundos”: uma mão se mexe e alcança um rosto.
Esta “movimentação” ou “ilusão de ação”, acontece no mundo externo, fora de você. Ela criou uma ilusória ação com ilusórios elementos que recebe o valor de realidade.
Você percebe o mundo externo através das percepções do corpo físico apropriadas para tanto: audição, olfato, fala, visão e sensibilidades do corpo. No entanto, como já falamos, estas percepções são encaminhadas ao ego que, então, cria qualificações para elas.
Tudo que é percebido ganha um determinado valor através das verdades genéricas do ego. Ou seja, a mão, o rosto e a movimentação são verdades genéricas que o ego utiliza e por isso a ação se transforma em realidade apenas para quem está ligado a um ego que interpreta desta forma o mundo Real. Mas, os elementos desta ação não são Realidades do universo.
O que é uma mão? Um conjunto de elementos menores que não podem ser percebidos pela visão humana: as células. Da mesma forma o rosto e o ar que se movimenta.
Portanto, na Realidade não existe uma mão se chocando com um rosto, mas células que se movimentam através de células e se encontram. Esta é a realidade material do mundo externo, mas ainda não é a Realidade Universal.
O Espírito da Verdade ensinou que tudo que existe no universo, mesmo aqueles elementos que chamamos de “simples”, é formado primariamente por um único elemento: o fluído cósmico universal[19]. Aplicando-se este conhecimento à realidade criada pelo ego para o mundo externo, vê-se, então, que aquilo que é vivenciado a partir das verdades genéricas é ilusão.
Este é o Real mundo externo que você vive, mesmo que o ego não lhe diga isso: um aglomerado de fluídos cósmicos universais que são “interpretados” pela mente a partir dos códigos formados pelas verdades genéricas que estão nela.
A partir do momento que o ilusório mundo externo é formado na mente, você começa a viver outro mundo, também ilusório: o interno. Nele a ação criada à partir da percepção do mundo externo se transforma adquirindo valores que são determinados pelas verdades individuais da mente.
Na vivência neste mundo, o que aconteceu no mundo externo se transforma e ganha valores. No caso do nosso exemplo, o encontro da mão com o rosto se transformou ou em uma bofetada, numa agressão, numa maldade.
A bofetada não está no mundo externo, mas no mundo interno. Lá fora aconteceu simplesmente o “choque” da mão com o rosto. A agressão e a maldade que foram vivenciados por você a partir daquela percepção pertencem a um outro mundo: o seu mundo interno, a sua convivência com o seu ego.
Ou seja, o mundo externo é formado pela ilusão da ação e o mundo interno é criado através das qualificações que o ego dá a partir das verdades individuais de cada um. No entanto, nenhum deles é Real, pois foram criações artificiais do ego e não a Realidade Universal.
A Realidade Universal está no mundo universal que é Real. Vocês também chamam este mundo de mundo espiritual.
Aquela bofetada, ou melhor, aquele encontro da mão com o rosto tem um significado espiritual, uma essência espiritual, que é a Realidade do acontecimento. Esta Realidade, no entanto, não é vivenciada pelos seres humanizados porque são prisioneiros do ego e vivem apenas o mundo interno onde estão presentes a ilusão da ação e as qualificações.
Tudo que acontece, ou seja, toda ilusão de ação é originada na espiritualidade porque, como ensinou Cristo, não cai uma folha da árvore sem que meu Pai faça cair. Além disso, o Espírito da Verdade também ensinou: Deus é Causa Primária de todas as coisas.
Desta forma, existe uma “intencionalidade divina” ao causar primariamente o mundo externo que não é captada pelo ego o que transforma o mundo interno em ilusão. Mas, ao causar Deus não movimenta “mãos” nem células materiais, mas fluído cósmico universal, o que também confere o valor de ilusão ao mundo externo.
Portanto, só o mundo universal é Real, mas isto o ser humanizado não consegue vivenciar porque está preso ao ego que criou as duas ilusões.
Voltemos ao nosso exemplo para poder determinar a Realidade do acontecimento. No mundo externo uma mão encontra com um rosto; no interno esta ação se transformou numa bofetada e agressão; mas, no mundo universal tudo isto é uma emanação de Deus, pois tudo vem do Pai, é emanado pelo Senhor, causado primariamente pela Inteligência Suprema.
Três mundos completamente diferentes vivenciados no mesmo momento pelo ser humanizado.
A vivência da vida carnal com esta consciência é fundamental para a elevação espiritual, porque, como ensinou Krishna, tudo que é perceptível pelo ser humanizado é maya. Isto porque ele, como escravo do ego, percebe um mundo externo ilusório e o vive dentro das qualificações individuais do seu mundo interno.
Quem não controla sua mente se sujeita ao que o ego e diz que o que se vive é real. Por isso, sem a luta contra tudo o que ele criar, buscando afirmar que não esta a Realidade, o que realmente está acontecendo, não há reforma íntima.
Participante: Na prática, quando o senhor diz que tudo emana de Deus, deveríamos ver tudo como resultado da lei de ação e reação? Inclusive a bofetada?
O conhecimento da lei de ação e reação que você tem ainda é uma verdade relativa imposta pelo seu ego. Por isso, querer enxergar esta realidade ainda será ficar preso ao ilusório mundo interno. Veja tudo que acontece como o que é de verdade: uma emanação de Deus.
Participante: Mas o problema em ver o seu exemplo como uma emanação de Deus é difícil, pois causa dor...
Você fala de dor física? Em “O Livro dos Espíritos” existe um trabalho de estudo sobre as percepções e sensações onde Allan Kardec afirma que : “o corpo é o instrumento da dor. Se não é causa primária desta é, pelo menos, a causa imediata. A alma tem a percepção da dor...” [20]
Você já viu soube de pessoas que amputaram a perna mas continuam sentindo dor no pé que não mais existe? Pois bem, a dor não está na carne, mas nasce na mente. A dor é o ego que cria e quem está subordinado ao ego faz “doer a dor”.
Participante: Quer dizer que quando nos libertarmos do ego não sentiremos mais dores físicas?
Aliás como fazem os gurus que deitam em camas de pregos, que andam em cima da brasa. Eles controlam a mente a não o corpo.
Aproveitando que você me disse que é difícil ver a emanação de Deus por causa da dor que sente, pergunto: o que Deus emana? Já que tudo é emanação de Deus e você tem que dizer ego eu não acredito em você porque eu sei que tudo aqui é emanação de Deus, o que é emanado pelo Pai?
Participante: Tudo que é bom. A felicidade, a ventura, a prosperidade...
Deus não é múltiplo, ele é Uno, a Unidade. Portanto só pode emanar uma única coisa: o Amor.
Sabe o que é aquilo que o seu ego interpreta como felicidade, ventura e prosperidade: o Amor de Deus. Mas, como TUDO emana Dele, não é só o que o ego diz que é o amor de do Pai por você que é. Aquilo que o ego chama de ruim (sua dor de barriga, sua tristeza, sua falta de ventura, suas carências) também são frutos do Amor de Deus em ação.
Tudo que existe no Universo é o amor de Deus em ação, porque tudo parte da Causa Primária e Ela como Una só emana Amor. O ego é que é multifacetado e cria múltiplas interpretações e sensações presas dentro da polaridade “bem” ou “mal”.
Você falou que a bofetada seria um carma, fruto da lei da ação e reação e eu lhe disse que era impossível para você, prisioneiro do ego universalizar-se com esta resposta. Sabe por que? Porque o carma não é o que você pensa que é: ele não é castigo ou penalidade, nem vem acompanhado de uma acusação. O carma é meramente a perfeita reação a uma ação anterior.
Mesmo os ensinamentos que levam à elevação espiritual são transformados pelo ego humanizado, como acabamos de ver no exemplo acima. Dentro das verdades genéricas dos egos humanos são criados valores que distorcem os ensinamentos dos mestres. Estes novos valores servem de provas aos espíritos encarnados, como aliás tudo que vem do ego.
Quer outro exemplo? Existe um ensinamento de Cristo que diz assim: em verdade em verdade vos digo, quem não nascer de novo não verá o reino do céu. Esta frase vocês conhecem e acham, como espíritas que são, que conhecem também o significado dela, ou seja, o que Cristo quis dizer.
Os espíritas afirmam que aí está o ensinamento da reencarnação, mas isto não é real. Esta compreensão trata-se apenas de uma verdade formada pelo ego espírita.
A Verdade deste ensinamento não é alcançada porque o ego não deixa o ser humanizado entender que cada coisa é proferida dentro de uma determinada circunstância. O problema é que pinçam frases ao acaso e as usam de acordo com as verdades do ego.
Vocês conhecem a história ou as circunstâncias onde foi proferida esta frase? Ela foi dita por Cristo em resposta a uma pergunta de Nicodemus, que era um mestre do partido dos fariseus. Partido, à época, não era político, mas religioso. O partido dos fariseus era uma facção da religião hebraica. Hoje, por exemplo, nós temos os católicos, os evangélicos, os protestantes, os novos protestantes que podem ser considerados como “partidos do cristianismo”, se aplicarmos a visão de outrora para as facções religiosas.
Os fariseus constituíam, então, um partido da religião hebraica e tinham como uma das suas características acreditarem na reencarnação. O conhecimento da reencarnação é muito velho sobre o mundo e não foi trazido pelo Espírito da Verdade, como querem crer alguns egos espíritas. Lao-Tsé, Krishna, Buda e muitos povos de então acreditavam nela.
Agora veja bem. Você não acha que Nicodemus, que era mestre nas leis religiosas do partido dos fariseus que acreditavam na reencarnação, iria perguntar a Cristo se existia ou não esta Realidade do Universo? Claro que não.
É por isso que Nicodemus pergunta assim: “Como pode um homem velho nascer de novo? Será que pode voltar para a barriga da sua mãe e nascer outra vez?” [21]
Repare. O mestre dos fariseus não está falando em renascer através do retorno à condição de criança, mas como homem velho. Ele não fala em voltar a ser criança novamente, mas, como um adulto pode renascer sem perder esta condição. Portanto, Nicodemus não estava falando em reencarnação, mas em renascimento durante a própria vida, em renascer depois de adulto.
Só depois que ele faz esta pergunta é que Cristo lhe responde desta forma: “Eu afirmo que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. A pessoa nasce fisicamente de pais humanos, mas nasce espiritualmente do Espírito de Deus” [22].
Se Cristo estivesse falando em reencarnação citaria apenas os pais físicos, pois eles são a origem de um renascimento reencarnatório. Mas, o mestre fala em dois nascimentos: o físico, onde há a participação de pais humanos, e o espiritual, onde o progenitor será o Espírito de Deus. Portanto, Cristo fala em renascer durante a vida e não em reencarnar.
Cristo não falou em reencarnação, mas em ter que renascer, depois de adulto, do espírito e da água. A água que purifica e o espírito que é o espiritualismo que estamos falando aqui. Esta compreensão é diferente daquilo que está em seu ego, não é?
Participante: O senhor fala em voltar a viver como uma criança vive depois de adulto? Isto é renascer?
Exato. O renascimento que leva o espírito a viver no Reino de Deus não é o físico, mas, quando depois de adulto, vivencia os acontecimentos da existência carnal como uma criança.
Você já reparou como vive uma criança? Nada afeta o seu estado de espírito. Não há stress, as desavenças não chegam à raiva, etc. Por isto Cristo disse ainda que você só entrará no reino do céu quando for como uma criancinha, ou seja, não tiver verdades sobre as coisas.
Mas o entendimento do ensinamento do renascer durante a vida não para por aí. Existe ainda um aspecto que precisa ser compreendido e não o é pelos seres humanizados hoje porque o ego dá outras verdades sobre o tema.
O que é preciso fazer antes de nascer? Veja. Estamos falando que quem não nascer de novo não verá o Reino do Céu, mas o que é preciso fazer para que possa acontecer este renascimento?
Morrer. Ninguém nasce de novo se não morrer antes. Esta é uma verdade clara e límpida que nasce com a perfeita compreensão sobre o ensinamento.
A partir daí podemos dizer que quem prioriza a elevação espiritual não deve buscar “viver” a vida carnal, mas deve esforçar-se primeiramente para “morrer” para só depois renascer.
O objetivo da vida humana para aquele que busca aproximar-se de Deus deve ser matar a ele mesmo, ou seja, o ser humano que acredita ser. Não estou falando em suicídio físico, mas a morte da personalidade temporária que o espírito assume, ou seja, o conjunto de verdades individuais que estão no seu ego. Isto levará o ser universal humanizado a renascer como o espírito sem nome, cor, sexo, ou seja, uma identidade que é guiada por verdades espirituais e não materiais.
Para isto é preciso ser “senhor da mente”, ou seja, dominar o seu ego no sentido de libertar-se de todas as verdades que ele cria. Esta é a morte necessária para o renascimento que Cristo ensinou à Nicodemus.
Como disse, este era um exemplo para mostrar a você como o seu ego lhe engana. Falamos de um ensinamento básico da “consciência crística” (a morte do ser humano para o renascimento do espírito), mas o que dissemos está em completo desacordo com as verdades que você tem.
Talvez, por isso, você não acredite no que dissemos. Mas, esta posição apenas demonstra a sua submissão ao ego (acreditar nas verdades que ele impõe) e não que o ensinamento está “errado”, o que reforça ainda mais a tese de que a libertação do ego é primordial para aqueles que pretendem elevar-se espiritualmente. Veja como Nicodemus reagiu ao ensinamento e que grande lição o Cristo lhe ensinou:
Como pode ser isso? – perguntou Nicodemus.
O senhor é professor da lei do povo de Israel e não entende isso? Pois eu afirmo o seguinte: nós falamos daquilo que sabemos e contamos o que temos visto, mas vocês não querem aceitar nossa mensagem. Se não acreditam quando falo das coisas deste mundo, como vão acreditar se eu falar das coisas do céu? [23]
Mas, sabe por que os seres humanizados não querem aceitar a necessidade do auto-extermínio da personalidade que imaginam ser como caminho da elevação espiritual? Porque ninguém quer se matar, ninguém quer se mudar, ninguém quer deixar o solo firme daquilo que conhece para aventurar-se no desconhecido espiritual.
Mas a morte do ego é necessária para a evolução espiritual e é por isso que Cristo afirma: eu não vim trazer a paz, mas a espada. Ele não trouxe ensinamentos para que a sua vida humana seja repleta de paz material, mas a espada para que você se mate, ou seja, para que liquide as condições que o ego impõe para que esteja em paz.
O ego humano sabe que a busca pela elevação espiritual é feita de desapegos, de restrições a alguns benefícios materiais, mas ele controla aquilo que o ser humanizado irá se desapegar para que o espírito não se liberte de todas as verdades. Por isto alguns ensinamentos tiveram suas essências alteradas pelos egos humanos.
Deus dá a cada um segundo suas obras, já nos ensinou Cristo. Se o ser humanizado se liberta de apenas algumas verdades, receberá menos de Deus do que aquele que conseguiu libertar-se de tudo.
OBSERVAÇÃO: A respeito desta afirmação, existe uma linda estória que retrata bem este ensinamento. Trata-se de um texto de Rabindranat Tagore.
Era uma vez um lavrador que, indo a caminho de casa, com a colheita do dia, notou que, em sentido contrário, vinha suntuosa carruagem, revestida de estrelas. Contemplando-a, fascinado, viu-a estacar, junto dele, e, estarrecido, reconheceu a presença do Senhor do Universo, que saiu dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas...
- O quê? - refletiu, espantando - o Senhor da Vida a rogar-me auxílio, a mim, que nunca passei de mísero escravo, na aspereza do solo?
Conquanto excitado e mudo, mergulhou a mão no alforje de trigo que trazia e entregou ao Divino Pedinte apenas um grão da preciosa carga.
O Senhor agradeceu e partiu.
Quando, porém, o pobre homem do campo tornou a si do próprio assombro, observou que doce claridade vinha do alforje poeirento... O grânulo de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola, transformado em pepita de ouro luminescente...
Deslumbrado, gritou:
- Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Soberano da Vida?

Portanto, dentro dos ensinamentos do Cristo, tudo o que você “aprender” deve servir para libertar-se do ego e não para criar novas verdades, novas condições para alcançar a paz. Todos os ensinamentos dos mestres que você entrar em contato devem ser usados para matar-se (eliminar verdades) e não para criar um homem novo, ou seja, um ser humanizado com verdades diferenciadas.
Por isto eu afirmo: ao ler este livro não se preocupe em nascer de novo, ou seja, em alcançar uma compreensão sobre estes ensinamentos que levarão à criação de novas verdades, mas esteja sempre atento para eliminar tudo o que o ego lhe disser a respeito desta leitura.
Se preocupe durante a leitura deste livro em estar atento a você mesmo (seu ego) para poder “ver” a ação da sua mente criando verdades a partir destas palavras e não em tornar-se um sábio “conhecendo” coisas novas. Não se preocupe em renascer (ser um novo homem com novas verdades), mas vá matando-se pouco a pouco durante a leitura.
O aprendizado da libertação do que o ego diz não pode gerar novas verdades, ou seja, não pode levar a um “renascimento”, pois este será dado por Deus como carma (reação a uma ação) pelo trabalho de autodestruição da humanização.
Ou seja, você não faz o seu renascimento: recebe de Deus. Ninguém constrói o homem novo. Pode matar o velho e aí o novo surge vindo de Deus.
Com isto podemos estabelecer o último parâmetro para a leitura desta obra: a elevação espiritual não é uma construção de coisas novas, mas uma destruição do velho.
Vou fazer uma figura para que possa ser melhor entendido o que é elevação espiritual. Comparemos a sua identidade, a pessoa que imagina ser, a um prédio de apartamentos.
Antes de nascer (encarnar) você é o terreno vazio. Depois que nasce, no contato com o mundo constrói suas verdades que podem ser comparadas às vigas que sustentam o prédio.
Na juventude as paredes são construídas e o prédio começa a “subir”. Quando acaba esta etapa da vida carnal cada tijolo da parede é uma verdade que você passou a acreditar. A terra que estava no terreno (Verdades espirituais) sumiu. Ela continua existindo, mas está tão encoberta que os moradores deste prédio não vivem com a sua existência.
Quando acaba a juventude e você entra na maturidade possui tantas verdades (tijolos) que pode ser comparado a um prédio que ocupa um quarteirão inteiro e tem mais de trinta andares. Aí alguém lhe diz que é preciso desocupar o terreno voltando a ser apenas terra original.
Neste momento começa a reforma íntima. Para executá-la tem que pegar um martelinho e ir quebrando tijolo por tijolo. Não dá para ir direto às vigas de sustentação de cada andar porque você já nem consegue distingui-las nas paredes rebocadas.
Ou seja, você nem sabe mais o que são verdades básicas desta vida, verdades que geraram outras, porque perdeu completamente o referencial espiritual que tinha antes de encarnar. Existem tantas realidades ilusórias tão profundamente enraizadas que você tem que vir destruindo cada conceito que vai aparecendo gradativamente.
Participante: Não seria mais fácil reencarnar, ou seja, nascer de novo fisicamente, vir com um novo terreno?
Lembre-se que o nome do trabalho da elevação espiritual é reforma e não construção. Para se reformar alguma coisa é preciso que exista algo para ser mudado.
Sendo assim, se você nascer de novo terá antes que construir todo o prédio novamente para só então começar a reforma. Ninguém pode se reformar sem se mudar e para isso é preciso haver alguma construção anterior.
Então veja. Você falou em nascer de novo, mas isso não adianta. Terá que começar de novo, ou seja, construir tudo novamente chegando ao mesmo ponto de hoje para fazer o que tem que fazer hoje. Para que tanto esforço se você já está aqui, se seu prédio já está construído?
Participante: Realmente é melhor começar a destruir agora...
Mas, tem mais um detalhe que não coloquei neste exemplo. Cada vez que você não bater, colocará um novo tijolo na parede que estava batendo.
Isto é a vida. Cada vez que o ego lhe disser uma coisa é preciso que este valor seja destruído (bater com o martelo) porque senão esta verdade será arquivada na memória e futuramente o ego a utilizará. Saiba: tudo aquilo no que acreditar como real e verdadeiro um dia será utilizado contra você pelo ego, com certeza.
Para que consiga realizar o trabalho de libertação do ego que leva o espírito a aproximar-se de Deus é preciso que você viva integralmente com a “atenção plena correta”. Este ensinamento faz parte do “Nobre Caminho Óctuplo” que Buda ensinou. Mas não atenção plena no mundo exterior, mas no interior.
Lembre-se que os valores não estão no mundo exterior (o exemplo da bofetada anteriormente citado), mas eles surgem no mundo interior: no raciocínio que o ego desenvolve. Se você não estiver o tempo inteiro vigilante no seu mundo interior deixará o ego lhe dominar: dizer o que está acontecendo.
O objetivo do ensinamento da atenção plena no fluxo do pensamento muitas vezes é confundido. Alguns imaginam que esta ação deve levar ao não pensar, mas ele deve realmente levá-lo a atingir o não-pensamento, o que é diferente de não pensar. Não-pensamento é quando você recebe o pensamento do ego, mas não se prende a ele, não acredita nas verdades que ele traduz.
Não pensar jamais poderá deixar de acontecer, pois o ego funcionará sempre enquanto você estiver humanizado. O fluxo sempre ocorrerá, mas você não pode represá-lo.
O pensamento tem que ser como um rio e, você, tem que permanecer na margem vendo o fluxo de água passar e deixá-lo seguir seu curso. O problema é que os seres humanos represam o pensamento. Acreditam naquilo que o ego propõe através do pensamento e com isto a verdade é arquivada na memória.
Assim que se represa um pensamento ele passa a se retro alimentar. Por exemplo: o ego lhe diz que alguém não presta. Você aceita, ou seja, represa este pensamento. A partir deste momento o ego alimentará esta verdade lhe dizendo os porque deve acreditar que aquela pessoa não presta (ela fez isso, ela falou aquilo, etc.).
Agindo assim, a cada novo pensamento a represa irá se enchendo, ou seja, as verdades se solidificarão cada vez mais com argumentos ilusórios que serão tratados como reais.
Se você deixasse o pensamento seguir não aceitando o que o ego lhe diz como verdade a mente não teria como retro alimentar aquela verdade colocando mais razões que justifiquem o que ela afirmou da pessoa e, assim, a verdade acabaria morrendo.
Então, será isso que estudaremos neste livro. Para isto aprenderemos o que são as coisas, como o ego trabalha, de onde vêm as verdades, porque você tem esta individualidade que está hoje e não outra, para que adquiriu esta personalidade, ou seja, para que nasceu.

Terça-feira, Outubro 11, 2005

Classificação dosDistúrbios Espirituais

Diante dessa classificação, impõe-se o conhecimento em profundidade dos mecanismos íntimos de cada uma das entidades nosográficas (nosografia - descrição metódica das doenças) citadas, lembrando que o diagnóstico de certeza dependerá sempre das condições de desenvolvimento e harmonia do grupo mediúnico, do perfeito domínio da técnica apométrica e da imprescindível cobertura da Espiritualidade Superior.

Em virtude da maioria, talvez, 80% das doenças se iniciarem no corpo astral, pode-se deduzir que nas eras vindouras a Medicina será integral, isto é, um grupo de médicos terrenos atenderá as mazelas patológicas físicas, trabalhando ao lado de outro grupo de médicos desencarnados, que se encarregarão do corpo espiritual.

Indução Espiritual
Obsessão Espiritual
Pseudo-Obsessão
Simbiose
Parasitismo
Vampirismo
Estigmas Cármicos não Obsessivos: Físicos e Psíquicos
Síndrome dos Aparelhos Parasitas no Corpo Astral
Síndrome da Mediunidade Reprimida
Arquepadias (magia originada em passado remoto)
Goécia (magia negra)
Síndrome da Ressonância Vibratória com o Passado
Correntes Mentais Parasitas Auto-Induzidas



--------------------------------------------------------------------------------

Indução Espiritual

A indução espiritual de desencarnado para encarnado se faz espontaneamente, na maioria das vezes de modo casual, sem premeditação ou maldade alguma. O espírito vê o paciente, sente-lhe a benéfica aura vital que o atrai, porque lhe dá sensação de bem estar. Encontrando-se enfermo, porém, ou em sofrimento, transmite ao encarnado suas angústias e dores, a ponto de desarmonizá-lo - na medida da intensidade da energia desarmônica de que está carregado e do tempo de atuação sobre o encarnado. Em sensitivos sem educação mediúnica, é comum chegarem em casa esgotados, angustiados ou se queixando de profundo mal-estar. Por ressonância vibratória, o desencarnado recebe um certo alívio, uma espécie de calor benéfico que se irradia do corpo vital mas causa no encarnado, o mal-estar de que este se queixa.

Hábitos perniciosos ou vícios, uma cerveja na padaria, um cigarro a mais, um passeio no motel, um porno-filme da locadora de vídeo, defender ardorosamente o time de futebol, manifestação violenta da sua própria opinião pessoal, atraem tais tipos de companhia espiritual, algumas brincadeiras tais como as do copo, ou pêndulo, podem atrair espíritos brincalhões, a princípio, que podem gostar dos participantes e permanecerem por uma longa estadia. De qualquer maneira, o encarnado é sempre o maior prejudicado, por culpa da sua própria invigilância - "orai e vigiai" são as palavras chaves e o agir conscientemente, é a resposta. A influência exercida pelos desencarnados, em todas as esferas da atividade humana poderá ser feita de maneira sutil e imperceptível, por exemplo, sugerindo uma única palavra escrita ou falada que deturpe o significado da mensagem do encarnado de modo a colocá-lo em situação delicada.

A indução espiritual, embora aparente uma certa simplicidade, pode evoluir de maneira drástica, ocasionando repercussões mentais bem mais graves, simulando até mesmo, uma subjugação espiritual por vingança.

Durante o estado de indução espiritual, existe a transferência da energia desarmônica do desencarnado para o encarnado, este fato poderá agravar outros fatos precedentes, como a ressonância vibratória com o passado angustioso que trazem a desarmonia psíquica para a vida presente, através de "flashes" ideoplásticos (ideo- do grego idéa = "aparência"; princípio, idéia. + plast- (icos) do grego plásso ou platto = "modelar"; moldar. Ou ainda "plasmar", no conceito espírita.). Em outras palavras: um fato qualquer na vida presente, poderá ativar uma faixa angustiosa de vida passada, tal vibração, gera a sintonia vibracional que permite a aproximação de um espírito desencarnado em desarmonia. Esses dois fatos juntos podem gerar situações de esquizofrenia na vida atual do paciente.


Obsessão Espiritual

"A obsessão é a ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais." (Allan Kardec)

"É a ação nefasta e continuada de um espírito sobre outro, independentemente do estado de encarnado ou desencarnado em que se encontrem"(Dr. José Lacerda).

A obsessão implica sempre ação consciente e volitiva, com objetivo bem nítido, visando fins e efeitos muito definidos, pelo obsessor que sabe muito bem o que está fazendo. Esta ação premeditada, planejada e posta em execução, por vezes, com esmero e sofisticação, constitui a grande causa das enfermidades psíquicas. Quando a obsessão se processa por imantação mental, a causa está, sempre em alguma imperfeição moral da vítima (na encarnação presente ou nas anteriores), imperfeição que permite a ação influenciadora de espíritos malfazejos.

A obsessão é a enfermidade do século. Tão grande é o número de casos rotulados como disfunção cerebral ou psíquica (nos quais, na verdade, ela está presente) que podemos afirmar: fora as doenças causadas por distúrbios de natureza orgânica, como traumatismo craniano, infecção, arteriosclerose e alguns raros casos de ressonância com o Passado (desta vida), TODAS as enfermidades mentais são de natureza espiritual.

A maioria dos casos é de desencarnados atuando sobre mortais. A etiologia das obsessões, todavia, é tão complexa quanto profunda, vinculando-se às dolorosas conseqüências de desvios morais em que encarnado e desencarnado trilharam caminhos da criminalidade franca ou dissimulada; ambos, portanto, devendo contas mais ou menos pesadas, por transgressões à grande Lei da Harmonia Cósmica Passam a se encontrar, por isso, na condição de obsidiado e obsessor, desarmonizados, antagônicos, sofrendo mutuamente os campos vibratórios adversos que eles próprios criaram.

A maioria das ações perniciosas de espíritos sobre encarnados implica todo um extenso processo a se desenrolar no Tempo e no Espaço, em que a atuação odiosa e pertinaz (causa da doença) nada mais é do que um contínuo fluxo de cobrança de mútuas dívidas, perpetuando o sofrimento de ambos os envolvidos. Perseguidores de ontem são vítimas hoje, em ajuste de contas interminável, mais trevoso do que dramático. Ambos, perseguidor e vítima atuais, estão atrasados na evolução espiritual. Tendo transgredido a Lei da Harmonia Cósmica e não compreendendo os desígnios da Justiça Divina, avocam a si, nos atos de vingança, poder e responsabilidade que são de Deus.

As obsessões podem ser classificadas em simples (mono ou poli-obsessões - por um obsessor ou por vários obsessores), ou complexa, quando houver ação de magia negra, implantação de aparelhos parasitas, uso de campos-de-força dissociativos ou magnéticos de ação contínua, provocadores de desarmonias tissulares que dão origem a processos cancerosos. Assim, os obsessores agem isoladamente, em grupos ou em grandes hordas, conforme o grau de imantação que tem com o paciente, sua periculosidade, os meios astrais de que dispõem, a inteligência de que são portadores, e sua potencialidade mental. De todos os modos são terríveis e somente com muito amor e vontade de servir à Obra do Senhor, faz com que nos envolvamos com eles.

Os tipos de ação obsessivas podem acontecer em desencarnado atuando sobre desencarnado, desencarnado sobre encarnado, encarnado sobre desencarnado, encarnado sobre encarnado ou ainda obsessão recíproca, esses dois últimos, estudados sob o título de Pseudo-Obsessão.
VOLTA



Pseudo-Obsessão
É a atuação do encarnado sobre o encarnado ou a obsessão recíproca. Todos nós conhecemos criaturas dominadoras, prepotentes e egoístas, que comandam toda uma família, obrigando todos a fazerem exclusivamente o que elas querem. Tão pertinaz (e ao mesmo tempo descabida) pode se tornar esta ação, que, sucedendo a morte do déspota, todas as vítimas de sua convivência às vezes chegam a respirar , aliviadas. No entanto, o processo obsessivo há de continuar, pois a perda do corpo físico não transforma o obsessor.

Este tipo de ação nefasta é mais comum entre encarnados, embora possa haver pseudo-obsessão entre desencarnados e encarnados. Trata-se de ação perturbadora em que o espírito agente não deseja deliberadamente, prejudicar o ser visado. É conseqüência da ação egoísta de uma criatura que faz de outra o objeto dos seus cuidados e a deseja ardentemente para si própria como propriedade sua. Exige que a outra obedeça cegamente às suas ordens desejando protegê-la, guiá-la e, com tais coerções, impede-a de se relacionar saudável e normalmente com seus semelhantes.

Acreditamos que o fenômeno não deve ser considerado obsessão propriamente dita. O agente não tem intuito de prejudicar o paciente. Acontece que, embora os motivos possam até ser nobres, a atuação resulta prejudicial; com o tempo, poderá transformar-se em verdadeira obsessão.

A pseudo-obsessão é muito comum em pessoas de personalidade forte, egoístas, dominadoras, que muitas vezes, sujeitam a família à sua vontade tirânica. Ela aparece nas relações de casais, quando um dos cônjuges tenta exercer domínio absoluto sobre o outro. Caso clássico, por exemplo, é o do ciumento que cerceia de tal modo a liberdade do ser amado que, cego a tudo, termina por prejudicá-lo seriamente. Nesses casos, conforme a intensidade e continuidade do processo, pode se instalar a obsessão simples (obsessão de encarnado sobre encarnado).

O que dizer do filho mimado que chora, bate o pé, joga-se ao chão, até que consegue que o pai ou a mãe lhe dê o que quer ou lhe "sente a mão". Qualquer das duas reações fazem com que o pequeno e "inocente" vampiro, absorva as energias do oponente. O que pensar do chefe déspota, no escritório? E dos desaforos: "eu faço a comida, mas eu cuspo dentro". E que tal a mulher dengosa que consegue tudo o que quer? Quais são os limites prováveis?

Enquanto o relacionamento entre encarnados aparenta ter momentos de trégua enquanto dormem, o elemento dominador pode desprender-se do corpo e sugar as energias vitais do corpo físico do outro. Após o desencarne, o elemento dominador poderá continuar a "proteger" as suas relações, a agravante agora é que o assédio torna-se maior ainda pois o desencarnado não necessita cuidar das obrigações básicas que tem como encarnado, tais como: comer, dormir, trabalhar, etc.

O obsidiado poderá reagir as ações do obsessor criando condições para a obsessão recíproca. Quando a vítima tem condições mentais, esboça defesa ativa: procura agredir o agressor na mesma proporção em que é agredida. Estabelece-se, assim, círculo vicioso de imantação por ódio mútuo, difícil de ser anulado.

Em menor ou maior intensidade, essas agressões recíprocas aparecem em quase todos os tipos de obsessão; são eventuais (sem características que as tornem perenes), surgindo conforme circunstâncias e fases existenciais, podendo ser concomitantes a determinados acontecimentos. Apesar de apresentarem, às vezes, intensa imantação negativa, esses processos de mútua influenciação constituem obsessão simples, tendo um único obsessor. Quando a obsessão recíproca acontece entre desencarnado e encarnado é porque o encarnado tem personalidade muito forte, grande força mental e muita coragem, pois enfrenta o espírito em condições de igualdade. No estado de vigília, a pessoa viva normalmente não sabe o drama que esta vivendo. É durante o sono - e desdobrada - que passa a ter condições de enfrentar e agredir o contendor.

Em conclusão a esses tipos de relacionamentos interpessoais, aparenta-me que o ser humano deixou de absorver as energias cósmicas ou divinas, por seu próprio erro, desligando-se do Divino e busca desde então, exercer o "poder" sobre o seu semelhante para assim, vampirizar e absorver as suas energias vitais.

De que maneira podemos nos "religar" e absorver as energias divinas, depois de tantas vidas procedendo erroneamente? Talvez a resposta esteja no "ORAI E VIGIAI", de maneira constante e persistente, sem descanso, sem tréguas, buscando o equilíbrio de ações, pensamentos e plena consciência dos seus atos pois talvez ainda, o maior culpado deste errôneo proceder seja de quem se deixa dominar, vampirizar ou chantagear.
VOLTA



Simbiose
Por simbiose se entende a duradoura associação biológica de seres vivos, harmônica e às vezes necessária, com benefícios recíprocos. A simbiose espiritual obedece ao mesmo princípio. Na Biologia, o caráter harmônico e necessário deriva das necessidades complementares que possuem as espécies que realizam tais associações que primitivamente foi parasitismo. Com o tempo, a relação evoluiu e se disciplinou biologicamente: o parasitado, também ele, começou a tirar proveito da relação. Existe simbiose entre espíritos como entre encarnados e desencarnados. É comum se ver associações de espíritos junto a médiuns, atendendo aos seus menores chamados. Em troca, porém recebem do médium as energias vitais de que carecem. Embora os médiuns às vezes nem suspeitem, seus "associados" espirituais são espíritos inferiores que se juntam aos homens para parasitá-los ou fazer simbiose com eles.

A maioria dos "ledores da sorte", sem dotes proféticos individuais, só tem êxito na leitura das cartas porque são intuídos pelos desencarnados que os rodeiam. Em troca, os espíritos recebem do médium (no transe parcial deste), energias vitais que sorvem de imediato e sofregamente...

Narra André Luiz (em "LIBERTAÇÃO", Cap. "Valiosa Experiência"), "Depois de visivelmente satisfeito no acordo financeiro estabelecido, colocou-se o vidente em profunda concentração e notei o fluxo de energias a emanarem dele, através de todos os poros, mas muito particularmente da boca, das narinas, dos ouvidos e do peito. Aquela força, semelhante a vapor fino e sutil, como que povoava o ambiente acanhado e reparei que as individualidades de ordem primária ou retardadas, que coadjuvavam o médium em suas incursões em nosso plano, sorviam-na a longos haustos, sustentando-se dela, quanto se nutre o homem comum de proteína, carboidratos e vitaminas.".
VOLTA


Parasitismo
Em Biologia, "parasitismo é o fenômeno pelo qual um ser vivo extrai direta e necessariamente de outro ser vivo (denominado hospedeiro) os materiais indispensáveis para a formação e construção de seu próprio protoplasma.". O hospedeiro sofre as conseqüências do parasitismo em graus variáveis, podendo até morrer. Haja visto o caso da figueira, que cresce como uma planta parasita, e à medida que cresce, sufoca completamente a planta hospedeira a ponto de seca-la completamente.

Parasitismo espiritual implica - sempre - viciação do parasita. O fenômeno não encontra respaldo ou origem nas tendências naturais da Espécie humana. Pelo contrário, cada indivíduo sempre tem condições de viver por suas próprias forças. Não há compulsão natural à sucção de energias alheias. É a viciação que faz com que muitos humanos, habituados durante muito tempo a viver da exploração, exacerbem esta condição anômala, quando desencarnados.

Tanto quanto o parasitismo entre seres vivos, o espiritual é vício muitíssimo difundido. Casos há em que o parasita não tem consciência do que faz; às vezes, nem sabe que já desencarnou. Outros espíritos, vivendo vida apenas vegetativa, parasitam um mortal sem que tenham a mínima noção do que fazem; não tem idéias, são enfermos desencarnados em dolorosas situações. Neste parasitismo inconsciente se enquadra a maioria dos casos.

Há também os parasitas que são colocados por obsessores para enfraquecerem os encarnados. Casos que aparecem em obsessões complexas, sobretudos quando o paciente se apresenta anormalmente debilitado.

O primeiro passo do tratamento consiste na separação do parasita do hospedeiro. Cuida-se do espírito, tratando-o, elementos valiosos podem surgir, facilitando a cura do paciente encarnado. Por fim, trata-se de energizar o hospedeiro, indicando-lhe condições e procedimentos profiláticos.
VOLTA



Vampirismo

A diferença entre o vampirismo e o parasitismo está na intensidade da ação nefasta do vampirismo, determinada pela consciência e crueldade com que é praticada, tem portanto, a intenção, vampirizam porque querem e sabem o que querem. André Luiz nos informa: "Sem nos referirmos aos morcegos sugadores, o vampiro, entre os homens é o fantasma dos mortos, que se retira do sepulcro, alta noite, para alimentar-se do sangue dos vivos. Não sei quem é o autor de semelhante definição, mas, no fundo, não está errada. Apenas, cumpre considerar que, entre nós, vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qualquer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens." (" Missionários da Luz", Cap. "Vampirismo"). Há todo um leque de vampiros, em que se encontram criaturas encarnadas e desencarnadas. Todos os espíritos inferiores, ociosos e primários, podem vampirizar ou parasitar mortos e vivos. Um paciente, pela descrição, era portador de distrofia muscular degenerativa, estava de tal modo ligado ao espírito vampirizante que se fundiam totalmente, os cordões dos corpos astrais estavam emaranhados, o espírito tinha tanto amor pelo paciente que acabou por odiá-lo profundamente, desejando a sua morte, e assim sugava suas energias.
VOLTA



Estigmas Cármicos não Obsessivos: Físicos e Psíquicos

Como exemplos, citamos as deficiências físicas congênitas de um modo geral: ausência de membros, cardiopatias congênitas, surdez, cegueira, etc., além de todos os casos de manifestações mentais patológicas, entre elas, a esquizofrenia, grave enfermidade responsável pela restrição da atividade consciencial da criatura, a comprometer por toda uma existência a sua vida de relação. Podemos enquadrar aqui também, os casos de Síndrome de Down e Autismo.

Por outro lado, os neurologistas defrontam-se seguidamente com alguns casos desconcertantes de estigmas retificadores - as epilepsias essenciais -, assim denominadas por conta dos acessos convulsivos na ausência de alterações eletroencefalográficas. São quadros sofridos, difíceis e nem sempre bem controlados com os anti-convulsivantes específicos. Boa parte desses enfermos costuma evoluir para a cronicidade sem que a Medicina atine com as verdadeiras causas do mal. Diz o Dr. Eliezer Mendes, em seus livros, que são casos de médiuns altamente sensitivos tratados e internados em hospitais psiquiátricos e que mais lhes prejudica no seu caminho evolutivo.

A reencarnação, é a oportunidade que temos de reaprender, de acertar, para podermos evoluir. Apesar dos bons propósitos e da vontade de progredir, assumidos contratualmente no Ministério da Reencarnação, nem sempre o espírito no decorrer de uma reencarnação atinge a totalidade dos objetivos moralizantes. As imperfeições milenares que o aprisionam às manifestações egoísticas, impedem-no de ascender verticalmente com a rapidez desejada e, por vezes, enreda-se nas malhas de seus múltiplos defeitos, retardando deliberadamente a caminhada terrena em busca da luz.

Na vivência das paixões descontroladas, o indivíduo menos vigilante atenta contra as Leis Morais da Vida e deixando-se arrastar por ímpetos de violência, termina por prejudicar, de forma contundente, um ou vários companheiros de jornada evolutiva.

Todo procedimento anti-ético, que redunda no mal, produz complexa desarmonia psíquica, que reflete energias densificadas que se enraízam no perispírito só se exteriorizando mais tarde sob a forma de deficiências ou enfermidades complexas no transcorrer das reencarnações sucessivas. A presença de estigma cármico reflete a extensão e o valor de uma dívida moral, indicando a necessidade de ressarcimento e trabalho reconstrutivo no campo do bem, em benefício do próprio reequilibrio espiritual.

Os estigmas cármicos, quando analisados pelo prisma espírita, podem ser considerados recursos do mais elevado valor terapêutico, requeridos pelo espírito moralmente enfermo, visando o reajuste perante a sua própria consciência culpada.
VOLTA



Síndrome dos Aparelhos Parasitas no Corpo Astral

O paciente caminha lentamente, com passos lerdos, como se fosse um robot, estava rodeado por cinco entidades obsessoras de muito baixo padrão vibratório. Suas reações eram apenas vegetativas com demonstrações psíquicas mínimas. Às vezes ouvia vozes estranhas que o induziam a atitudes de autodestruição, ou faziam comentários de seus atos. Tais vozes procuravam desmoralizá-lo sempre.

Ao ser submetido, em desdobramento, a exame no Hospital Amor e Caridade, do plano espiritual, verificaram que o enfermo era portador de um aparelho estranho fortemente fixado por meio de parafusos no osso occipital com filamentos muito finos distribuídos na intimidade do cérebro e algumas áreas da córtex frontal.. Explicaram os médicos desencarnados que se tratava de um aparelho eletrônico colocado com o interesse de prejudicar o paciente por inteligência poderosa e altamente técnica e que os cinco espíritos obsessores que o assistiam eram apenas "guardas" incapazes de dominarem técnica tão sofisticada. Zelavam apenas pela permanência do aparelho no doente.

Foram atendidos em primeiro lugar os espíritos negativos que o assistiam e devidamente encaminhados ao Hospital. Em virtude de se tratar de um obsessor dotado de alto nível de inteligência, a espiritualidade determinou que o atendimento desse paciente fosse feito algumas horas mais tarde, em sessão especial. À hora aprazada, o enfermo foi desdobrado pela Apometria e conduzido ao Hospital para exame, em seguida trouxemos o espírito do obsessor para ser atendido no ambiente de trabalho.

Explicaram os amigos espirituais que bastaria tentar desaparafusar o aparelho para que o mesmo emitisse um sinal eletrônico para a base alertando o comando das trevas. Tocaram no parafuso que tinha "rosca esquerda" esperando assim atrair o responsável. Estimavam detê-lo de qualquer forma, para isso tomando precauções pela distribuição de forte guarnição estrategicamente situada.

Ao final do trabalho, a entidade retirou o aparelho parasita com toda delicadeza possível visando não lesar o enfermo. Disse também que já havia instalado mais de 900 instrumentos de vários tipos no cérebro de seres humanos e que em alguns indivíduos o resultado era nulo porque havia como uma imunidade para tais engenhos; que outros o recebiam com muita facilidade, tornando-se autômatos; e que outros, uns poucos, morreram.

O funcionamento do aparelho era o seguinte; o aparelho recebia uma onda eletromagnética de rádio freqüência, em faixa de baixa freqüência, de maneira constante, porém sem atingir os níveis da consciência. Tinha por finalidade esgotar seu sistema nervoso. Em momentos marcados, emitia sinal modulado com vozes de comando, ordens, comentários, etc. O próprio enfermo fornece energia para o funcionamento do engenho parasita, um filamento estará ligado a um tronco nervoso ou a um músculo com o objetivo de captar a energia emitida.

A recuperação manifestou-se em 48 horas. A primeira revisão aconteceu um mês após. O paciente prosseguiu nos estudos. Cinco anos depois encontra-se bem.

Aparelhos mais ou menos sofisticados que o descrito no relato acima, são colocados com muita precisão e cuidado, no Sistema Nervoso Central dos pacientes. Em geral os portadores de tais aparelhos eram obsidiados de longa data e que aparentemente sofriam muito com esses mecanismos parasitas. A finalidade desse engenhos eletrônicos é causar perturbação nervosa na área da sensibilidade ou em centros nervosos determinados. Alguns mais perfeitos e complexos, atingem também ''áreas motoras específicas causando respostas neurológicas correspondentes, tais como paralisias progressivas, atrofias, hemiplegias, síndromes dolorosas, etc.. O objetivo sempre é desarmonizar a fisiologia nervosa do paciente e faze-lo sofrer. A interferência constante no sistema nervoso causa perturbações de vulto, não só da fisiologia normal, mas, sobretudo no vasto domínio da mente, com reflexos imediatos para a devida apreciação dos valores da personalidade e suas respostas na conduta do indivíduo.

Tudo isso se passa no mundo espiritual, no corpo astral. Somente em desdobramento é possível retirar esses artefatos parasitas, o que explica a ineficiência dos "passes" neste tipo de enfermidade. O obsessor pode ser de dois tipos: ou o inimigo contratou mediante barganha em troca do trabalho, a instalação com algum mago das sombras, verdadeiro técnico em tais misteres, ou o obsessor é o próprio técnico que pessoalmente colocou o aparelho e zela pelo funcionamento do mesmo, tornando o quadro mais sombrio.

A finalidade desses engenhos eletrônicos (eletrônicos, sim; e sofisticados) é causar perturbações funcionais em áreas como as da sensibilidade, percepções ou motoras, e outros centros nervosos, como núcleos da base cerebral e da vida vegetativa. Mais perfeitos e complexos, alguns afetam áreas múltiplas e zonas motoras específicas, com as correspondentes respostas neurológicas: paralisias progressivas, atrofias, hemiplegias, síndromes dolorosas etc., paralelamente às perturbações psíquicas.

Como se vê, o objetivo é sempre diabólico: desarmonizar a fisiologia nervosa e fazer a vítima sofrer. A presença dos aparelhos parasitas já indica o tipo de obsessores que terão de ser enfrentados: Em geral pertencem a dois grandes "ramos":

1 - O inimigo da vítima, contrata, mediante barganha, um mago das Trevas, especializado na confecção e instalação dos aparelhos.

2 - O obsessor é o próprio técnico, que confecciona, instala o aparelho e, como se não bastasse, também zela pelo ininterrupto funcionamento, o que torna o quadro sobremaneira sombrio.

É comum obsessores colocarem objetos envenenados em incisões operatórias, durante cirurgias, para causar nos enfermos o maior mal-estar possível, já que com isso impedem a cicatrização ou ensejam a formação de fístulas rebeldes, perigosas (em vísceras ocas, por exemplo). Usam para tanto, cunhas de madeira embebidas em sumos vegetais venenosos - tudo isso no mundo astral, mas com pronta repercussão no corpo físico: dores, prurido intenso, desagradável calor local, inflamação etc.

Vide também: Diatetesterapia e Micro Organizadores Florais.
VOLTA



Síndrome da Mediunidade Reprimida

Mediunidade é a faculdade psíquica que permite a investigação de planos invisíveis (isto é, os ambientes onde vivem os espíritos), pela sintonização com o universo dimensional deles. Médium portanto, é o intermediário, ou quem serve de mediador entre o humano e o espiritual, entre o visível e o invisível. É médium todo aquele que percebe a vida e a atividade do mundo invisível, ou quem lá penetra, consciente ou inconscientemente, desdobrado de seu corpo físico.

Todo médium é agente de captação. Mas também transmite ondas de natureza radiante, correntes de pensamento do espaço cósmico que circunda nosso Planeta ("noures" de UBALDI). Sabe-se, no entanto, que este sentido especial, quando não disciplinado, pode causar grandes perturbações psíquicas (conduta anormal, sensibilidade exagerada, tremores, angústias, mania de perseguição, etc.) podendo levar à desorganização completa da personalidade, caracterizando quadros clássicos de psicose.

Esse perigo tem explicação. O médium é, antes de tudo, um sensitivo: indivíduo apto a captar energias radiantes de diversos padrões vibratórios, do mundo psíquico que nos cerca. Se não se desligar dessas emissões em sua vida normal, acabará por sofrer sucessivos choques e desgastes energéticos que esgotarão seu sistema nervoso, com graves conseqüências para seu equilíbrio psíquico. O consciente desligamento da dimensão imaterial é obtida pela educação da mediunidade, indispensável a todo médium. A sintonia só deverá acontecer quando ele estiver em trabalho útil e em situação adequada, a serviço de ambos os planos da Vida. Um médium é instrumento de serviço.
VOLTA



Arquepadias (magia originada em passado remoto)

Arquepadia (do grego "épados" magia e "archaios" antigo) é a síndrome psicopatológica que resulta de magia originada em passado remoto, mas atuando ainda no presente.

Freqüentemente os enfermos apresentam quadros mórbidos estranhos, subjetivos, sem causa médica conhecida e sem lesão somática evidente. São levados na conta de neuróticos incuráveis. Queixam-se de cefaléias, sensação de abafamento, ou crises de falta de ar sem serem asmáticos. Outros tem nítida impressão de que estão amarrados, pois chegam a sentir as cordas; alguns somente sentem-se mal em determinadas épocas do ano ou em situações especiais.

Os doentes sofrem no corpo astral situações de encarnações anteriores. Alguns foram sacerdotes de cultos estranhos e assumiram com entidades representando deuses, selados às vezes com sangue, formando dessa forma fortes laços de imantação que ainda não foram desfeitos. Outros, em encarnações no Egito sofreram processos de mumificação especial, apresentando ainda em seu corpo astral as faixas de conservação cadavérica e os respectivos amuletos fortemente magnetizados. Alguns sofreram punições e maldições que se imantaram em seus perispíritos e continuam atuando até hoje.

Sempre é necessário um tratamento especial em seu corpo astral para haver a liberação total do paciente.
VOLTA



Goécia (magia negra)

Em todas as civilizações, e desde a mais remota antigüidade, a magia esteve presente. Começou provavelmente, com o homem das cavernas. Sabemos de seus rituais propiciatórios para atrair animais com que se alimentavam, de rituais mágicos em cavernas sepulcrais, de invocações às forças da Natureza para defesa da tribo contra animais e inimigos. Essa magia natural teve suas finalidades distorcidas, tornando-se arma mortífera nas mãos de magos renegados. Encantamentos eram usados para fins escusos. E para agredir, prejudicar e confundir, tanto indivíduos como exércitos e Estados. A ambição e o egoísmo usaram as forças da Natureza para o Mal; espíritos dos diversos reinos foram e ainda são escravizados por magos negros, que não poupam o próprio Homem. A distorção e o uso errado da magia fez com que caísse em rápida e progressiva decadência.

No mais das vezes, a magia é a utilização das forças da Natureza, dos seus elementos e dos seres espirituais que os coordenam. A Natureza é a obra de Deus na sua forma pura, não é boa, nem ruim, ela é! Nós, os seres humanos, no nosso agir errado é que utilizamos maldosamente essas energias, e ao longo do nosso aprendizado, nos tornamos magos negros, nos distanciamos da Lei do Criador, deixando o orgulho e a vaidade, assumir espaço em nossos corações. Desaprendemos como receber a energia divina e aprendemos a ganhar "poder" sobre os nossos companheiros e assim sugar as suas minguadas energias.

Ao longo das nossas encarnações, fomos nos tornando seres devedores da Lei, e nesse errôneo caminhar, Deus se apieda e permite que paguemos com o Amor, as dívidas que contraímos. Esta é a finalidade das nossas vidas, "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos."

O pior tipo de obsessão, contudo, por todos os motivos complexa, é sem dúvida o que envolve a superlativamente nefasta magia negra. Ao nos depararmos com tais casos, de antemão sabemos: será necessário ministrar tratamento criterioso, etapa por etapa, para retirar os obsessores (que costumam ser muitos). Procedemos à desativação dos campos magnéticos que, sem esta providência, ficariam atuando indefinidamente sobre a vítima. Isto é muito importante. Alertamos: a ação magnética só desaparece se desativada por ação externa em relação à pessoa, ou se o enfermo conseguir elevar seu padrão vibratório a um ponto tal que lhe permita livrar-se, por si próprio, da prisão magnética.

Assim como um dia utilizamos as forças da Natureza de maneira errada, podemos contar também com a Natureza para que a utilizemos da maneira certa, pelo menos, desta vez. Entidades da Natureza sempre estarão presentes e dispostas a nos auxiliarem.

Os magos das trevas têm atuação bastante conhecida. Astuciosa. Dissimuladora. Diabólica. Apresentam-se às vezes com mansidão. São aparências, ciladas, camuflagens, despistamentos e ardis. Somente pela dialética, pouco será conseguido.

Para enfrentá-los, o operador deve ter conhecimento e suficiente experiência de técnicas de contenção, além do poder e proteção espiritual bastante para enfrentá-los. Nunca se poderá esquecer de que, ao longo de séculos, eles vêm se preparando - e muito bem - para neutralizar as ações contra eles, e, se possível, revertê-las contra quem tentar neutralizá-los.
VOLTA



Síndrome da Ressonância Vibratória com o Passado
]
Lembranças sugestivas de uma outra encarnação, seguramente, fluem de um arquivo de memória que não o existente no cérebro material, sugerem a evidência de arquivos perenes situados em campos multi-dimensionais da complexidade humana, portanto, estruturas que preexistem ao berço e sobrevivem ao túmulo. O espírito eterno que nos habita, guarda todas as cenas vividas nas encarnações anteriores. Tudo, sensações, emoções e pensamentos, com todo seu colorido.

Ressonância vibratória com o passado, são vislumbres fugazes de fatos vivenciados em uma outra equação de tempo e que, em certas circunstâncias, na encarnação atual, emergem do psiquismo de profundidade através de "flashes" ideoplásticos de situações vividas em encarnações anteriores. A pessoa encarnada não se recorda de vidas passadas porque o cérebro físico não viveu aquelas situações e, logicamente, delas não tem registro. Nosso cérebro está apto a tratar de fenômenos que fazem parte da existência atual, e não de outras.

Se a ressonância é de caráter positivo, expressando a recordação de um evento agradável, não desperta maiores atenções, confundindo-se com experiências prazeirosas do cotidiano. Porém, no caso de uma ressonância negativa, ocorrem lembranças de certas atitudes infelizes do homem terreno, a exemplo, de suicídios, crimes, desilusões amorosas e prejuízos infligidos aos outros, podem gerar conflitos espirituais duradouros. São contingências marcantes, responsáveis por profundas cicatrizes psicológicas que permanecem indelevelmente gravadas na memória espiritual. Nas reencarnações seguintes, essas reminiscências podem emergir espontaneamente sob a forma de "flashes ideoplásticos" e o sujeito passa a manifestar queixas de mal-estar generalizado com sensações de angústia, desespero ou remorso sem causas aparentes, alicerçando um grupo de manifestações neuróticas, bem caracterizadas do ponto de vista médico-espírita e denominadas - Ressonâncias Patológicas - como bem as descreveu o Dr. Lacerda.

Uma determinada situação da vida presente, uma pessoa, um olhar, uma jóia, uma paisagem, uma casa, um móvel, um detalhe qualquer pode ser o detonador que traz a sintonia vibratória. Quando a situação de passado foi angustiosa, este passado sobrepõe-se ao presente. A angústia, ocorrendo inúmeras vezes, cria um estado de neurose que com o tempo degenera em psicopatia. Estados vibracionais como estes podem atrair parasitas espirituais que agravam o quadro.

Durante um atendimento, incorporou o espírito de uma criança. O pai desta criança, foi convocado para a guerra e disse a ela que ele voltaria para buscá-la. O pai morreu em uma batalha. A aldeia em que moravam foi bombardeada, a criança desencarnou junto com outros. O doutrinador, naquela encarnação foi o pai da criança. O nível do corpo mental da criança ficou preso a situação de passado pela promessa do pai e os outros habitantes da aldeia ficaram magnetizados a aquela situação. Todos foram atendidos. O fator desencadeante: a criança, em sua atual encarnação é dentista e tendo o doutrinador como paciente.
VOLTA



Correntes Mentais Parasitas Auto-Induzidas

Certos indivíduos mais sensíveis ou impressionáveis manifestam um verdadeiro temor às aflições corriqueiras da vida. A causa de tudo é o medo patológico que alimentam. Com o passar dos tempos, esse medo indefinido e generalizado converte-se numa verdadeira expressão de pavor, desestruturando por completo o psiquismo da criatura e alimentando, conseqüentemente, os mais variados distúrbios neurológicos, nos quais as fobias, angústias e pânicos terminam por emoldurarem as conhecidas síndromes psicopatológicas persistentes e de difícil resposta aos procedimentos terapêuticos em voga.

Esse grupo de auto-obsidiados faz da preocupação exagerada e do medo patológico a sua rotina de vida. E em meio à desgastante angústia experimentada, alimenta, de uma forma desequilibrada, o receio de doenças imaginárias, o receio infundado com o bem-estar dos filhos ou a idéia de que, a qualquer momento, perderão os seus bens materiais. Formam o imenso contingente de neuróticos crônicos, infelizes e sofredores por antecipação.

Tal eventualidade, além de identificada e bem avaliada pela equipe Apométrica, deve motivar o próprio enfermo a uma análise judiciosa de seu comportamento inadequado diante das solicitações da vida.

É bem verdade que a sujeição a uma terapia espiritual globalizante, terapia que inclua desde os mais eficientes procedimentos desobsessivos até o emprego dos métodos sugestivos da psicopedagogia evangélica, serve para aliviar, e muito, a sintomatologia desgastante de qualquer patologia anímica, e ao mesmo tempo, estimular o indivíduo na busca incessante do reequilíbrio necessário ao seu bem-estar físico e espiritual.

O esforço individual na busca da tão sonhada vivência evangélica aos poucos substituirá os comportamentos inadequados e as atitudes infelizes por novos padrões mais salutares e otimistas de comportamento.
VOLTA